sexta-feira, 16 de abril de 2021
Gnomos
sábado, 22 de agosto de 2020
7 livros peruanos (traduzidos para o português) que você deveria ler
Quando se pensa em literatura peruana, muito provavelmente o primeiro – e talvez o único – escritor que vem a nossa cabeça é Mário Vargas Llosa, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, em 2010. Não sei o quanto devemos respeitar uma premiação que existe desde 1901 e que até hoje só premiou 7 escritores latino-americanos (que nunca premiou um brasileiro e que laureou apenas um escritor lusófono, o português José Saramago), mas o fato é que os premiados com o Nobel acabam sendo traduzidos para o mundo todo, por grandes editoras e acabam virando referência em seus países. Entretanto, há muito mais na literatura peruana do que Mário Vargas Llosa! A parte chata é que muito pouco está traduzido para o português e menos ainda temos traduzido das mulheres escritoras peruanas. Mas ainda assim, não sem antes garimpar um pouco, é possível encontrar algumas preciosidades e surpresas. Vamos lá:

1. Só para fumantes (Júlio Ramón Ribeyro)
Esta é uma primorosa coleção de 13 contos escritos por Ribeyro ao longo da vida (1929-1994). O livro vai do tragicômico do homem que não consegue largar o vicio do cigarro (conto autobiográfico que dá título à coletânea) à questões sociais como a miséria que assola os setores marginalizados do Peru, como os meninos famintos de “Urubus sem penas”. A impotência dos homens perante à inexorabilidade do tempo e dos reveses da vida parece ser o mote de todos os contos e aparece na frustração do homem que não consegue largar o vício, na frustração do menino que não consegue recuperar os livros que foram do avô, na frustração do homem ao ver estilhaçado o espelho que passou por muitas gerações de sua família e por aí vai. Aqui temos o gênero conto representado em grande estilo.
2. Os rios profundos (José Maria Arguedas)
Arguedas, que suicidou-se em 1969, era antropólogo e etnólogo e em “Os rios profundos” busca mostrar os dois Perus que existem, aquele que fala espanhol, descendente dos colonizadores, e aquele que fala quéchua, a língua da população nativa peruana, descendente da civilização Inca. O livro relata a viagem do menino Ernesto (personagem autobiográfico) e seu pai pelo interior do Peru, conhecendo as disparidades de relações sociais entre estes dois grupos. Arguedas era falante e tradutor do quéchua e os encontros e desencontros étnicos sempre o fascinou. “Os rios profundos” está editado no Brasil atualmente pela Cia. das Letras e também pode ser facilmente encontrado em sebos, em diversas edições.
3. Contar tudo (Jeremías Gamboa)
Jeremías Gamboa é uma jovem promessa da literatura peruana, elogiado por Mário Vargas Llosa e atualmente um best seller no Peru. “Contar Tudo” (livro de inspiração autobiográfica) foi publicado em 2013 e conta a história de Gabriel Lisboa, um jovem nascido na periferia de Lima, que decide abandonar uma sólida carreira como jornalista – sempre tão imediatista e sem poesia – para dedicar-se à literatura, onde procura encontrar a si mesmo e entender melhor o mundo. “Contar Tudo” foi publicado no Brasil pela Alfaguara e pode ser facilmente encontrado.
Nesta obra de 1970, Echenique usa de exemplo às contradições existentes no interior da oligarquia limeña, para fazer uma grande crítica às oligarquias de toda a América Latina. O protagonista é Julius, um menino melancólico que vive no interior de uma dessas famílias e que recebe desta apenas frieza e indiferença. Num mundo de clubes de golfe e de roupas de grife, Julius parece não encontrar o seu lugar e encontrará afeto somente nos empregados da família (a babá, a cozinheira, o motorista filho de escravos), aqueles que eram tratados com desprezo e repugnância por seus pais e irmãos. Echenique, hoje com 77 anos, é um premiadíssimo escritor peruano ainda pouco conhecido no Brasil. É dele o prefácio de “Só para fumantes”, publicado pela Cosac Naify. “Um mundo para Julius” está esgotado no Brasil, mas ainda pode ser encontrado em sebos.
5. Bom dia para os defuntos (Manuel Scorza)
Publicado em 1970, esta obra representa o realismo mágico latino-americano, onde a magia anda de mãos dadas com – tristes – fatos reais. Temos um relato de como a população indígena peruana se organizou, no decorrer dos anos 50, para recuperar suas terras, roubadas com o apoio do governo, por grandes latifundiários e pela empresa estadunidense Cerro de Pasco Corporation, que explorava jazidas de minério no antiplano peruano. A publicação deste livro-denúncia foi tão grande no Peru, que o principal líder da revolta dos camponeses, Héctor Chacon, foi libertado após 11 anos de prisão no meio da Amazônia peruana. Atualmente, só pode ser encontrado em sebos.
6. Obra poética completa (Cesar Vallejo)
O maior dos poetas peruanos, Vallejo (1892-1938) é pouco editado no Brasil. Por aqui, sua poesia é artigo raro, encontrada em alguns poucos sebos. Sua poesia é bastante experimental rompe com os dogmas tradicionais da gramática, valendo-se de toda sorte de neologismos e recursos estilísticos (fusão de palavras, quebra inesperada de ritmo, etc). A oralidade de seus poemas nos faz lembrar bastante autores brasileiros como Guimarães Rosa e Manoel de Barros.
7. Sexografias (Gabriela Wiener)
Gabriela Wiener esteve no Brasil em junho para participar da FLIP, a Feira Literária Internacional de Paraty e causou por aqui grande alvoroço. Isso porque seu livro “Sexografias” relata sua jornada jornalistica pelos extremos do sexo. Representante do chamado “jornalismo gonzo”, em que o próprio jornalista é alvo da reportagem, Wiener relata as experiências que teve em swings e em práticas sadomasoquistas.
Faixa-Bônus:
8. A cidad
e e os cachorros (Mário Vargas Llosa)
Sim, apesar de querermos priorizar aqui os menos conhecidos, Mário Vargas Llosa não pode faltar em uma lista de escritores peruanos. Neste livro de 1962, Llosa inspira-se em sua própria infância, quando foi enviado pelo pai autoritário a um rígido colégio
militar. A história se passa no Colégio Militar Leoncio Prado, onde os cadetes veteranos imprimem toda sorte de humilhações e hostilidades aos cadetes novatos, a quem chamava de Cachorros. Os meninos, em sua maioria pobres e já humilhados em suas famílias, acabam por tentar se unir contra as ofensivas dos mais velhos. Este romance revelou Llosa ao mundo e é uma ótima porta de entrada para sua grande obra, que contém títulos consagrados como “As travessuras da menina má”, “Conversas na catedral”, “Pantaleão e as visitadoras”, “A guerra do fim do mundo”, etc, todos com boas edições no Brasil pela Alfaguara.
domingo, 22 de dezembro de 2019
Melhores livros lidos em 2019

A uruguaia e Uma noite com Sabrina Love, ambos de Pedro Mairal (Argentina) - Mairal tem um grande poder de nos fazer empatizar com seus personagens e seus dramas. Não dá pra largar seus livros depois que lemos a primeira linha. É uma prosa viciante, com diálogos e reflexões com os quais gostaríamos de participar, de falar junto, torcendo por seus personagens, seja o quarentão Lucas Pereyra, tentando resolver seus inúmeros problemas pessoais enquanto deambula pelas ruas de Montevidéu, seja o adolescente Daniel Montero, em sua saga para chegar a Buenos Aires para passar uma noite com Sabrina Love, a estrela do canal pornô que sorteou seu nome, entre milhares, como nos programas de auditório tão comuns nos países latino-americanos.
A vegetariana, de Han Kang (Coréia do Sul) - Baita livro, o primeiro de uma escritora sul-coreana que li na vida. A grande questão de A vegetariana é mostrar o quanto as pessoas se sentem no direito de intervir em escolhas individuais alheias (sobretudo se envolvem corpos femininos, sobretudo em sociedades conservadoras - assim, tipo a brasileira). O livro é dividido em 3 partes, cada qual com um narrador distinto, cada um com uma narrativa acerca do fato da protagonista ter se tornado vegetariana. A grande sacada do livro é que nenhuma dessas narradoras é a própria protagonista. Só sabemos o que falam dela, nunca o que ela fala de si própria.
Sombrio Ermo Turvo, de Verônica Stigger (Brasil) - Este livro é uma aula de escrita em forma de contos. Nenhum deles passa perto de qualquer convencionalismo e sempre deixam o leitor com o disjuntor caído ao final. Mais um baita livro de Verônica Stigger!
O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Marquez (Colômbia) - Gabo é pra se ler em voz alta, sentindo o sabor de cada palavra. Este talvez seja seu livro mais poético, a história do amor obstinado de Florentino Ariza, que precisa esperar 50 anos para poder se declarar para Fermina Daza. Um grande tratado sobre o amor que, ao contrário de outros livros do gênero, não cai uma linha sequer em qualquer tipo de pieguice.
Nocilla Experience, de Augustín Fernandez Mallo (Espanha) - Mallo se auto-declara representante de uma "literatura móvel" ou fluida. Em Nocilla Experience (que compõe com Nocilla Dream e Nocilla Lab uma trilogia) temos exatamente isso, trata-se de uma coleção de textos curtos, altamente povoados de ícones da cultura Pop - Nocilla nada mais é que a Nutella espanhola) que permitem uma leitura quando tomados isoladamente (quando vistos de perto, digamos, como quando nos aproximamos de um quadro) e uma outra leitura quando lidos em conjunto (quando vistos de longe).
O teatro da rotina, de Alex Xavier (Brasil) - Da nova safra de ótimos escritores brasileiros, Alex Xavier tem um repertório infinito de procedimentos narrativos em seus contos, onde consegue extrair o fantástico de situações mais rotineiras.
Bonsai e A vida secreta das árvores, de Alejandro Zambra (Chile) - Os dois primeiros livros de Zambra já tiveram edições separadas pela Cosac e agora aparecem em edição única pela Tusquets. Além de ambos terem a figura de árvores como referência, também tratam igualmente de desencontros amorosos. Além disso, os dois livros são narrativas curtas, de linguagem muito potente, que vale por si só. A primeira passagem de "Bonsai" já nos diz que a literatura de Zambra busca muito mais uma linguagem do que um grande tema: "No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final, Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura".E você, quais foram seus livros favoritos de 2019? Cite aí nos comentários (nem precisa dizer o motivo...rs).
quarta-feira, 22 de maio de 2019
Matilda e o filme que já foi visto

sábado, 22 de dezembro de 2018
Melhores livros lidos em 2018
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Sobre a nobre prática de emprestar livros
As estatísticas apontam que 98% dos livros emprestados não são devolvidos. Um dado realmente alarmante que faz com que eu perca ainda mais a esperança na humanidade. Mas vamos lá, não seremos nós, leitores deste respeitoso veículo de comunicação, que iremos engrossar esta vergonhosa estatística. Se VOCÊ... sim, você mesmo que está me lendo, possui em sua casa algum livro que a princípio não lhe pertence, que a princípio, de repente, ME pertença ou pertença a algum amigo inocente, sugiro que proceda da seguinte forma: DEVOLVA! Sim, é isso mesmo. Não é tão difícil assim! Se o livro fosse dado, eu ou o outro amigo inocente, teria deixado isso mais claro pra você, quem sabe com uma dedicatória ou um embrulho de presente. Se isso não ficou evidente no momento da "entrega" é porque, mais cedo ou mais tarde, você terá que (me) devolver. E isso também vale pra DVDs, CDs, roupas de baixo... tudo! Vamos incentivar práticas amigavelmente sustentáveis de trocas de materiais!
Acredito que existam ao menos dois tipos de empréstimos de livros. O primeiro, e o mais comum de todos, tem objetivos essencialmente econômicos e coloca aquele que empresta na função de uma espécie de biblioteca pública ambulante. Alguém que deseja ler um livro mas não quer ou não pode comprá-lo pega emprestado com uma boa alma que possui o livro e deseja emprestá-lo. Um mecanismo simples e que costuma funcionar bem (salvo naqueles 98% de casos inconvenientes citados no parágrafo inaugural do post). Entretanto, esta forma extremamente racionalizada de troca cultural peca por ser, como já dito, essencialmente econômica. Ainda que eu economize alguns trocados, pouco estarei me valendo do Outro, daquele que me emprestou. Pouco esterei me valendo de sua experiência enquanto leitor, que pode ser (e invariavelmente é) distinta da minha.
Assim, passo a falar do segundo tipo de troca de livros, daquela que realmente me motivou a escrever estas linhas sob a luz bruxuleante do lampião a gás. Esta segunda forma não tem objetivos econômicos, mas culturais, de ampliação de horizontes. É a saída momentânea de nossa bolha para o encontro com bolhas alheias. Os estudiosos chamam este segundo tipo de troca de "troca cega" ou "exchange blind". Agora o emprestador deixa de ser uma biblioteca pública ambulante e "passa a ser" Ele Mesmo, em toda a sua essência. Alguém escolhe um livro que gostou, que lhe foi importante, que lhe caracteriza enquanto leitor e empresta para um outro Alguém, que faz o mesmo. A escolha é feita por quem empresta e não por quem toma emprestado. Veja bem, aqui não estamos tratando de uma simples e calculada troca de materiais, mas da troca de um pouco do que somos (e isso não tem como devolver). Aqui chegamos a lugares e conhecemos coisas às quais não teríamos acesso no primeiro tipo de troca, às quais provavelmente não chegaríamos sozinhos.
Escrevo isso agora porque recentemente conclui que sou um conservador literário. Ao menos era, até o momento desta brilhante conclusão. Já li uma quantidade razoável de livros, mas conheço relativamente poucos autores. Isso porque, ao me deparar com um autor com a qual me identifico, penso em aproveitar o "achado" e ler a maior quantidade de livros daquele autor, como alguém que diante de uma pepita de ouro, conclui que ela veio de uma mina, onde podem ser encontrados outros tantos exemplares daquela solitária pedra preciosa. E isso se refletia em minha busca por livros emprestados, me fazendo ir atrás apenas daqueles autores com os quais eu já estava familiarizado.
Mas um curioso fenômeno tem ocorrido ultimamente que está me fazendo mudar de postura. Livros de autores variados estão "caindo" em minhas mãos sem serem, efetivamente, por mim solicitados e estão me rendendo adoráveis surpresas, tais como Mário Benedetti, Mário Vargas Llosa, Ismail Kadaré, Marçal Aquino, Herman Melville, Lourenço Mutarelli, entre outros (alguns deles estão ilustrando o post), o que tem me feito perceber que o mundo, ao menos o mundo literário, é bem maior e mais rico do que eu poderia imaginar.
Então, minha proposta vai nesse sentido. Seja lá o que for que você goste de ler, se dê a oportunidade de se impressionar com o novo. Tente um novo gênero, um novo autor, uma nova nacionalidade, um quadrinho de outro estilo! E não gaste dinheiro com isso! Conheça melhor seus amigos através dos livros que eles gostam de ler! Ao menos de vez em quando tente sair dos autores de costume e peça que cada um de seus amigos indique, e se possível lhe empreste, o livro que mais gosta de ler. O pior que pode acontecer é você se dar conta do tipo de gente com quem você anda se relacionando...Aliás, alguém tem alguma sugestão?
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A primeira leitura de um autor ou acerca da memória
Uma das minhas lembranças mais marcantes de descoberta de um escritor vem da leitura de Relatos de um certo oriente, de Milton Haltoum. Na primeira semana de um ano qualquer, somente porque o lia, chorei desesperadamente numa rodoviária entranhada no meio das rondônias. As pessoas me olhavam curiosas; por fim, quiseram me consolar e trouxeram-me um copo d’agua e me ficavam ainda mais atônitas quando eu dizia que chorava por causa do livro que estava lendo.
Lembro com muita nitidez quando li O processo, de Kafka. Rodeada por livros da biblioteca da minha professora de literatura, eu estava apaixonada e, por isso, sentia-me toda intensa, pronta para tudo e abismava-me sem amarras com aquele mundo labiríntico do sem-explicação e com aquela morte absurda no final.
Porém, uma das minhas lembranças mais fortes está relacionada à leitura de Crônicas de uma casa assassinada, de Lúcio Cardoso. Vários dias depois da leitura, ainda sentia o cheiro das violetas podres e do corpo apodrecido entre as violetas, aterrorizada com aquela catarse delirante de revelações. Desde que vi os objetos de Farnese de Andrade relaciono-o com o universo literário de Lúcio Cardoso. Penso que só ele, no Brasil, pode ser comparado a Lúcio:::: a este desespero pelo próprio destino e o da humanidade.
Ainda lembro do primeiro livro que li do Graciliano Ramos, que não poderia ser outro senão Vidas Secas. Li-o numa tarde em que fui visitar uma pintora. Foi lá que descobri que nas pinturas existiam fundos de uma cor só. Eu deveria ter uns onze anos. Mas é da época de São Bernardo que me recordo melhor: aquelas corujas que não paravam de piar à noite se misturaram com minha própria coleção de corujas. Nunca mais deixei de ler Graciliano.
Lembro, ainda, de Cem anos de solidão, do Gabriel Garcia Márquez. As memoráveis primeiras páginas; o gelo que queimava, os lençóis brancos voando... e o mesmo choro que irrompia em mim. Dessa vez, tanto o agora quanto o porvir pareciam maior que o mundo. E havia tanta gente linda ao meu redor::: do adolescente que me olhou com cara de "é claro" quando eu lhe perguntei se já havia lido Cem anos de solidão ao homem capaz de agregar uma porção de leitores ao seu redor, formávamos uma espécie de confraria que se reunia naquela livraria que não existe mais.
Lembro do encantamento com Cantares, de Hilda Hilst, que nunca mais se repetiu em nenhuma de outros dos seus livros que li. Carreguei-o pra cima e pra baixo numas férias em que estava fugindo de mim mesma. Ou em busca de mim, não sei. Lembro que recolhia pedaços de um amor que, sendo amor, há muito deixara de sê-lo.
Ainda poderia ficar por muito tempo a escarafunchar minha memória, descobrir que a tenho, mas agora ela me pesa muito, como se carregar tanto dentro de mim explicasse por que é preciso que hoje eu esteja fazendo 37 anos, e não menos como gostaria. Paro, então, por aqui, surpreendida com os retalhos do meu passado. Não quero chegar naquela noite branca em que, com O inominável, de Samuel Beckett, dentro da minha bolsa, eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo e prometia a mim nunca me dar menos do que a felicidade absoluta. Paro porque existem promessas que não podem ser cumpridas e, por isso, são tão bonitas de serem feitas.






