quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os 50 tons salvadores

As coisas aconteceram, foram acontecendo e assim foram ao longo desses 5 anos. Nos conhecemos no trabalho , eu ficava num local estratégico no departamento: perto do bebedouro, quase na cozinha. Devido a um acidente, o botão água gelada ficou travado, tive que intervir heroicamente para que não houvesse uma inundação e fui recompensado com uma conversa com ela de poucos segundos, que desembocaram em e-mails e telefonemas noturnos e que enfim no final daquele mês e que era também o final do ano houvesse o meu pedido de namoro, romanticamente em frente ao oceano e com todo cuidado possível para que não houve o comprometimento de nenhuma oferenda.

Desde sempre, ela tinha sobre mim o imediato convite a luxúria e que teimava em não declinar, mesmo com o desgaste do cotidiano.  O seu cheiro, gosto e a estridência de sua voz, eram perfeitos. 

Porém, a mesma volúpia não era recíproca. Pensei no início que era por conta da sinusite, depois foi a fase de adaptação da moradia solitária e por último tinha a certeza que sofrera de algum tumor cerebral dada as suas constates dores de cabeça.  Após a minhas súplicas, havia o atendimento, contudo, com a mesma burocracia do Detran de São Paulo, com mais nãos do que sims. Imaginem, nesses 5 anos nunca houve o french way e a forma como ela manipulava o meu instrumento, economizando o máximo o número de dedos da sua pequena mão, era quase um ultraje. Humilhado, busquei por algumas vezes ajuda profissional que só pioravam a minha solidão a dois.

Enfim, fustigado com essa situação e já decidido em me livrar desse vício, fui acometido de uma epifania. Isso ocorreu após o almoço de despedida do Tonhão, que estava mudando de emprego, a mulherada presente na mesa estava exaltando o Grey. Ele era o exemplo do comedor do século 21, algo como o José Maia de nossa época e que a leitura do livro aumentaria de forma substancial o repertório sexual de um casal. Eureca!

Comprei o livro na padaria  perto de casa, tive a mesma sensação de quando comprei pela primeira vez camisinha na farmácia do bairro, e na mesma noite dei o livro. Estava tão obcecado pelo salvamento do meu relacionamento que nem me dei o desfrute de embrulhá-lo para presente. Na entrega, ela comentou que estava curiosa em lê-lo e iniciou naquela mesma noite. Diariamente fazia o acompanhamento dessa leitura e a questionava sobre os avanços nessa tarefas e ela sempre fugia...Até que ontem, recebi uma mensagem de texto com a seguinte frase:

"Preciso ir atrás do meu  Christian Grey, está tudo acabado entre nós".

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Super Desinteressante

É através do interesse que expomos aos outros aquilo que nos atrai.
É pelo interesse que nos diferenciamos dos demais seres humanos. 
Josué se interessa por vinhos e é conhecido como enólogo. 
Vilma se interessa por selos e a chamam de filatelista. 
Marta tem apenas interesses materiais e tem fama de interesseira
Ao indivíduo que tem mais interesse na gente do que a gente nele, damos o título de chato. 
Você pode defender seus interesses, desde que eles não firam os meus. 
O interessado procura um jeito e o desinteressado, uma desculpa. 
Interesse demais, soa desespero. Paciência demais, desinteresse. 

E para seu interesse, eu não tinha nada mais interessante para escrever. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Aprendendo a viver entre o passado e o futuro

Há alguns meses tenho a sensação de que o tempo mudou de alguma maneira,não sei como,nem o porquê,mas fiquei com essa idéia de que as coisas tem um ritmo diferente.
E hoje estava vendo uma entrevista com o editor do `El País ´,um jornal espanhol,explicando o que vem acontecendo em relação a família real espanhola e achei a explicação dele muito interessante.
Em 2003 o genro do Rei Juan Carlos da Espanha,o famoso atleta Inaki Undargarin, fundou uma ONG,o Instituto Nóos,mas desde 2006 vem sendo alvo de investigações e no ano passado se comprovou que sua ONG está envolvida em desvios de dinheiro público e mais seis crimes,que vão desde falsificação de documentos até sonegação de impostos.Tudo tem vindo a tona muito lentamente,já que ele é genro do rei e todos sabem que é impossível alguém se mexer tanto no sistema público sem o aval do rei,sendo assim os advogados da casa real estão cortando dobrado,para ganhar tempo,para que alguns crimes possam prescrever e poder afastar a idéia de que o rei sabia e recebia uma parte do dinheiro desviado.
Diante disso os espanhóis pensaram o que todos pensam quando dinheiro e poder vão de mãos dadas,que nada aconteceria,finalmente o genro é o pai dos netos do rei,não tem como ele ser preso,é matematicamente impossível imaginar a filha do Rei,a Infanta Cristina,visitando o marido na cadeia.Mesmo assim a casa real espanhola ficou desmoralizada e fragilizada diante do escândalo.
E nessa entrevista o editor resolveu defender a casa real,coisa que precisa de muita convicção,porque o desvio de dinheiro público em um país que está falido é um nervo exposto,as pessoas estão cansadas e irritadas,os espanhóis estão perdendo suas casas e seus empregos enquanto a família real deita e rola na vida mansa.Mas o editor foi rápido e esperto,defendeu a casa real dizendo que o tempo da internet não é o mesmo da justiça espanhola,a internet tem seu próprio ritmo acelerado,mas a vida real não tem essa rapidez.Ele diz que o fato de que os espanhóis possam ler todos os dias na internet como vai o processo ou ficar sabendo de detalhes não quer dizer que as audiências são no mesmo dia e o veredicto saia na hora.
Estamos tão acostumados a tudo de imediato na internet que quando não vemos a justiça agir na mesma velocidade achamos que alguém está sendo acobertado.
Ele também menciona essa questão na vida pessoal de todos,antes havia um tempo nos relacionamentos,uma demora em saber quem era o outro.Hoje antes mesmo de namorar é possível fuçar as redes sociais que a pessoa freqüenta e assim ter um perfil mais elaborado,desde aquelas informações que a gente já sabe até fotos de ex-namoradas ou namorados.
Na defesa a casa real o editor pede paciência aos espanhóis e fé na justiça,o processo contra o genro está correndo,mas não é um site,que pode se abrir e fechar em segundos.Também menciona que as pessoas devem aprender a separar o tempo da internet do tempo real,no mundo virtual podemos ver na tela pratos de comida em segundos,enquanto na vida real a comida leva tempo ficar pronta.
De todas as defesas que já li a casa real espanhola essa foi sem dúvida a melhor,porque não deixa de ser verdade.É real isso,estamos vivendo acelerados,achando que tudo tem que acontecer em segundos.Eu já sou impaciente por natureza e de repente vou abrir um site e demora,já fico puta da vida,querendo quebrar o computador,esperar dois minutos para mim é uma vida inteira.
Mas o fato é que nem na Espanha nem em qualquer outra parte a justiça é rápida,pelo contrário,é lenta,demorada,arrastada e nem sempre acerta.É possível que mesmo com toda a irritação dos espanhóis o processo contra o genro do rei se arraste por anos e com tantos advogados trabalhando para a casa real as probabilidades de uma condenação são mínimas.
A tendência é piorar nossa noção do tempo,porque com o avanço da tecnologia todos os brinquedos que usamos todos os dias vão estar cada vez mais rápidos,já toda a máquina que nos cerca,desde questões de justiça até hospitais,trânsito,tudo vai ficar cada vez mais lento,mais saturado,mais emperrado.É melhor mesmo a gente começar a se acostumar com esses dois mundos,um no qual estamos fechados e tudo tem a velocidade da luz,outro no qual estamos abertos e nada anda pra frente.É como uma moeda,um lado pertence ao passado,a burocracia e o outro lado pertence ao futuro,a informações que voam e diversões em segundos,ficamos ali no meio tentando nos equilibrar,algumas vezes tontos pela velocidade de dentro,algumas vezes irritados com a lerdeza de fora.Cada época tem sua sina,imagino que essa será a nossa,equilibrar o passado e o futuro sem perder a cabeça.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Artista e o Cubo

O que eu admiro no artista é isso: "A capacidade de extrapolar o limite do cubo".

Eu, daqui de dentro, imagino como deve ser. Imagino que o artista pode ser ele mesmo fora do cubo, pode ser quem ele quiser dentro do cubo sem que ninguém saiba ou mesmo de propósito para que todos vejam.

Eu, pra variar, vejo o cubo uniformemente com seis lados, esteticamente calculado, estrategicamente numa vista isométrica, mas aposto que se eu perguntar como é o cubo para o artista, ele dirá que o cubo tem oito lados, ou melhor, me dará uma surpreendente resposta que uma mente incapaz de pensar fora do cubo, pensaria.

Dizem que o artista cria, mas eu penso que o artista apenas explora. Explora tão longe que aqueles que vivem dentro do cubo, pensa que é criação. É nada! Extrapolou o limite do cubo. Descobriu que o cubo pode ter muitos outros lados interessantes que o próprio cubo desconhece.

Eu tenho vontade de ser um artista, de repente um dia, quem sabe?

O artista é capaz de nos mostrar coisas que pensávamos saber de outra forma totalmente diferente. Alguns acham que é loucura, outros acham graça e os que acreditam, muitas vezes também experimentam o que é ser artista.

Artista pode expressar o que explorou através da dança, da música, do rabisco de desenho ou de uma pintura. Um artista é tão artista que pode explorar o próprio cubo e coloca-lo pra fora, ou trazer o de fora para o cubo em linguagem cúbica.

E eu, aqui dentro, vou tomando coragem pra ver o que tem lá fora. Nunca ouvi falar de artista que deixou de ser artista. Mas já vi quem não era se tornar. E aqui estou, observando e me encorajando, quem sabe?

E quer saber? Eu, neste cubo penso que o artista explore tão longe, mas nem deve ser tão longe assim.

Encontre mais no livro Rascunhos Vivos

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Você ousar sentar mais perto...

Frio. Silêncio. Ouço a chuva batendo na janela, nas folhas lá fora. Cachorros latem. Aqui dentro há um local aquecido. Não é só o quarto que está aquecido, mas meu coração. Sim, esse recôndito secreto, íntimo mudou depois que você chegou. Mudou justamente porque você decidiu sentar mais perto. Mudou porque você decidiu ser mais perto. Mudou porque você ousou decidir-se por mim antes mesmo que assim eu o fizesse. O que faço agora? Eu? Só tenho a agradecer. Agradeço com um abraço. E você me devolve lágrimas. Fico sem entender. O que te fiz? E você me diz: “Nada. Você apenas sentou mais próximo que todos conseguiram sentar. E você enxergou a solidão aqui e veio preencher sendo você. Sendo apenas você e eu.”

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mais Gatos e Menos Passarinhos


 Existe um país, onde a família não é feita de pai, mãe e filho. Só mãe e filho. As mulheres logo após a puberdade vão morar sozinhas, e os filhos homens moram para sempre com suas mães. O casal nunca mora junto, claro, eles namoram, tem filhos, mas não moram juntos.

  Existe outro em que o herdeiro do homem é sempre seu sobrinho, filho de sua irmã, nunca seu filho.

Devem existir outros mil modelos de família no mundo, que eu vou conhecendo picados nos documentários da TV.

As pessoas da minha idade começaram a se separar, agora são divórcios mesmo, e alguns deles tiveram filhos.

Sempre achei normal o divórcio, mas esses dias comecei a ver, que muito além de ter os pais separados, tem avós separados, e juntando tudo, terão vários em breve.

Eu tinha duas casas para ir aos domingos, as casas dos meus avós paternos e de meus avóis maternos, e nunca pensei em vê-los separados. Dividia os finais de semanas, as festas, as viagens tudo em dois.

Nesse final de ano, uma prima do meu pai, que já passou dos sessenta passou a virada conosco. O motivo? O ex marido, a festa ia ser com sua neta, seus dois filhos, mais ia o ex marido e sua família. E pior que passar as festas com o ex, é passar com a família dele.

Comecei a ver como vai ser confuso daqui pra lá, e como as pessoas são mais pessoas e menos família.

Não sou contra separar, está ruim tem que separar mesmo, só não sabia que as coisas estavam ficando tão ruins assim.

Os passarinhos vivem em par, é bonitinho como ficam juntos nos galhos e namoram carinhosos, criam os bebês e envelhecem juntos.

Mas o ser humano nunca foi passarinho.

 Os gatos (não os castrados) vivem diferente, tal manda chuva, aproveitam a vida, se apaixonam, tem amigos, brigam, namoram, tem filhotes, vivem perto de quem gostam, família ou não; o tempo que for pra ser, e não o tempo que tem que ser.



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Chegar em mim

Aceitei o convite para transformar em texto um dia por mês da minha vida. Essa sequência de informações divididas em parágrafos e pontuações que podem ter sido escritas em qualquer tempo, inclusive agora onde eu sei o que se passa e vocês não. No entanto estamos aqui, nos servindo desse mesmo instante-dia-texto que apenas existe e nos serve de porta de entrada para minha chegada.

 Pensei nas inúmeras possibilidades de formas de escrever e no modo como os outros 29 dias-pessoas se comportam por aqui, numa tentativa de adequação, em vão. Gosto de textos curtos e palavras precisas, mas não consigo fugir de ser extenso quando preciso me explicar.

Minha intenção era de que esse texto carregasse algo a mais de mim além das apresentações formais. Além da possibilidade de poder começar um texto com continuação para o próximo mês. Mas isso não é um romance, é um blog, de forma que tenho que me encerrar aqui mesmo.

O plano geral desses dias 07 que ainda virão, será o de recorte temático. Recentemente assisti no cinema “As aventuras de Pi” e relacionei muito com o processo de escrita.
Existe uma necessidade de metáforas pra vida às vezes para existir o mínimo de compreensão do outro ou de si. Embora tenha trabalhado pouco com isso (sou sempre concreto e simplesmente rata comigo demais no meu blog pessoal) vejo que num campo de maior visibilidade a coisa crua nem sempre cai bem.

Eu quero chegar a essas 29 pessoas e mais. E quero que possam chegar em mim.
De leve ou brutamente – é comigo mas também é com vocês.

Pedro Progresso

domingo, 6 de janeiro de 2013

Há algo mais

Há algo mais! – 31/12/2012 (17h)

Como nos esticamos, em busca do que quer que esteja do outro lado do que quer que for. Um número a mais no calendário, no fim dos quatro dígitos do ano, ou uma página virada no jornal do dia, na busca incessante por algo que ilumine os olhos de peixe morto daquele que esqueceu como é ter dormido o bastante na noite anterior. Algo sempre o mantem acordado.

Há algo mais? – 31/12/2012 (22h)

E não importa o quanto nos estiquemos, no final do dia estamos de volta à eterna prisão de ser nós mesmos. E será por isso que nada nunca muda? E por isso que, ao mesmo tempo, se você olhar para trás, parece que tudo mudou? Aqui, sentado, deixando esvair os segundos, o coração batendo e o oxigênio correndo-me aos poucos por dentro. E nada muda. Um segundo não faz jus a uma vida.

E, ainda assim, ela insiste em bater à porta. Chamem-na de tolice. Eu a chamo de esperança.

Há algo mais. – 01/01/2013 (0h)

sábado, 5 de janeiro de 2013

O músico declarou-se como um doador de órgãos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

STAR AGAIN

Se esse post tivesse entrado no dia certo que programei (30/12/2012) começaria assim:

"Amanhã quando você estiver olhando para o relógio e contar quantos minutos faltam para o começo de um novo ano, certamente passará em sua cabeça mais uma vez o que será preciso para 2013 ser melhor do que 2012.

Pensará o que foi bom nesse ano, o que você não quer que aconteça novamente, pode rir, pode chorar, pode decidir recomeçar, mas tudo isso depende de você."

Na verdade sempre dependeu de você

 

O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência.
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?


Chico Buarque



Cada dia que surge, constitui uma nova vida para quem sabe viver.

Horacio



 Por fora, já desistiu. Por dentro, sempre descobre alguma desculpa para recomeçar.


Permita-se recomeçar. Assim como o sol renasce todo dia, mesmo sem ter morrido


Há momentos em que a única solução é partir. Partir não por covardia, mas partir porque é melhor recomeçar do nada, que não ter sequer o nada para recomeçar...



"Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas".


"Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser."


Um ótimo 2013 para todos nós
Abraço
Jeff
 





quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

do desejo.

o que dizer na última postagem do ano? falar do que já passou ou do porvir? no meio desta dúvida, decidi escrever sobre o desejo, que de certo modo reúne todos os tempos em mim::: o que passou, o agora, o porvir.

por causa do desejo, fiz mais uma daquelas viagens a sampa. atribulada com mil tarefas, só me dei conta que 2012 era o ano da bienal de artes de são paulo, no dia em que ela teve início. estava em Natal para um evento acadêmico e desde então fiquei me lamentando por não ter dado uma "passadinha" por lá, como se fosse fácil... e não é. é bom lembrar que eu sou uma professora universitária que mora na mata (e o que isso significa em termos de - pouca - grana e - muita - distância dos grandes centros culturais). mas se há algo que me incomoda, é um certo modo de vida vazio que vejo muito por aí, em que (parece) haver dinheiro para tudo (sempre o risco dos desejos materiais), mas nunca para um programa cultural, a compra de um livro, de um cd (ainda se compram cds? quanto a mim, a resposta é afirmativa), para uma viagem para ver pessoas amadas ou mesmo para um jantar mais sofisticado ou uma boa noite regada a churrasco e cerveja. e, sim, eu não sei viver sem isto. e não carrego nenhuma culpa por isso.

então eu fui - seguindo a lógica de que daqui a dois anos haverá bienal outra vez, mas não esta bienal - a que foi pensada (e muito bem pensada, posso dizer agora) pelo curador Luiz Pérrez-Oramas, com este belo título: A iminência das poéticas. segui a lógica de que o agora importa, que desejar não apenas objetos, mas sobretudo vivências, é o que realmente tem importância. e por pensar assim, vivi momentos muito intensos, não apenas na bienal, mas também no seu "entorno"::: a belíssima exposição de Adriana Varejão no MAM, o novo filme de Abbas Kiarostami, Um alguém apaixonado, o super show da Madonna; Goeldi, na Pinacoteca, Otto no boulevard São João, os jantares e as pausas nos bares com pessoas amadas, amigas, lindas, que sempre têm algo a me dizer e que acabam por habitar em mim para sempre. 

e como são paulo, para mim, sempre se parece com uma maratona de peças de teatro, desta vez foi uma para cada noite que passei na cidade. e os deuses do teatro me abençoaram, porque todas foram obras ímpares, em que, cada uma do seu jeito, deixou em mim um sentimento profundo, um ponto de interrogação infinito: A casa amarela, com Gero Camilo, Toda nudez será castigada, de Nelson Rodrigues, com direção de Antunes Filho, Ato de comunhão, de Lautaro Vilo, e Luiz Antônio... Gabriela, de Nelson Baskerville. E se não fossem duas das pessoas de que falei acima não teria visto estas duas últimas peças. 

por que as pessoas também devem fazer parte dos desejos. e este foi um dos meus principais aprendizados deste ano::: que só devo querer ao meu lado quem realmente pode me "dizer" algo, me mostrar algum lado bonito da vida. porque eu sou boa aprendiz. sou dispersa, sou incrustada em mim, mas sou atenta às pessoas "bonitas" e nisto não excluo o contraditório::: boniteza de alma, para mim, não tem a ver com perfeição. tem a ver com a potência que cada um carrega de desejo, de querer estar no mundo e pensar sobre o mundo de um modo que não seja óbvio, que não seja dado. 
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e por último (nesta postagem que fala de um pouco de tudo)

(é apenas isto que tenho tentado ensinar ao meu filho. que eu e o tatupai temos tentado::: manter seu olhar curioso ante a beleza do mundo e das pessoas). e sinto que temos conseguido::: Poeminha gosta de gente e gosta de "coisas" - ele gosta, deseja, pede, classifica de "legal" e de "chato", de "bom" e de "ruim". e para isso pula, dança, ouve músicas, vê filme, folheia livros, leio livros para ele, rola na areia do pesqueiro dos amigos, "voa" se autodizendo "eu sou um passarinho",  e na água, "eu sou um peixe", espantando-nos com sua tranquilidade, com sua concentração, com sua sensibilidade. quanto a mim, chamo isso de ensinar a "fantasiar", a "desejar". para que ele cresça e saiba das diversas faces do mundo, que estão aí para serem saboreadas. para que ele cresça e não queira apenas um carro, uma super casa, o "mais novo" modelo de celular, de tablet, e o escambal, que são muito bacanas, mas vazios de sentido se forem apenas isto. que ele cresça e queira ver o mundo todo - como nós. nas diversas acepções de "mundo todo". não sei se dará certo. é uma aposta no escuro. mas uma aposta que eu e tatupai conduzimos porque somos, nós mesmos, seres desejantes. porque consentimos. con-sentimos. sentimos.


    

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

On the road

Todo ano escrevo metas para o ano seguinte. Não necessariamente no ano novo, porque acredito que nunca é tarde ou cedo demais. Apesar de ser clichezão recomendo a todos porque sempre reclamamos demais (estou me colocando nesse grupo também).

 Fazendo essas listinhas e voltando a elas periodicamente vi que sempre consigo conquistar muitos objetivos, mesmo que temporariamente. E, assim, pude ver que tenho muito mais a agradecer do que reclamar. Um dos tópicos presentes há pelo menos 5 anos nas minhas listinhas é o "viajar", "conhecer lugares novos", "ver o mar" e afins.

 Acredito que na vida o que vale realmente são os contatos que estabelecemos, os momentos que vivenciamos. E que a cultura não está somente nos livros (queridos eruditos, saim um pouco de casa!) mas na alteridade. A imagem abaixo diz o que penso e sinto toda vez que faço uma viagem, mesmo que ela seja de 30 Km à cidade vizinha. 


Ps. Não sou muito chegada aos festejos de final de ano. Mas espero que vocês desfrutem de tudo o que há de lindo. Até o ano que vem.







segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Então é Natal de novo

Então é Natal. É, de novo. Aliás, ainda não é, mas daqui a pouco vai ser. E preciso tomar banho, me arrumar e partir pra casa dos tios, onde o jantar de Natal acontece já há alguns anos. Por que estou dizendo isso? Porque provavelmente vocês estão fazendo coisas muito parecidas e não têm tempo para ver o blog. Aliás, pensando nisso agora, eu acho que poderia dizer qualquer absurdo aqui que ninguém jamais saberia. Talvez eu devesse revelar algum segredo bem sórdido. É. Acho que é isso mesmo que vou fazer.

Eu tenho as duas orelhas furadas. Oooh! Não uso brinco há milênios, mas os malditos furos nunca fecharam direito.


E a mensagem de Boas Festas, né? Crianças, desejo um Natal mais do que feliz a todos vocês! Porque alegria, amizade, amor e boas companhias não têm preço.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Papai Noel

- Pai, o Papai Noel existe?
- Veja bem, Joãozinho. Vamos tentar descobrir juntos. Existem aproximadamente dois bilhões de crianças (com menos de 18 anos) no mundo. Porém, como Papai Noel não visita criança das religiões muçulmana, Hindu, Judaica e Budista, isso reduz o trabalho na noite de Natal para 15 % do total, ou 378 milhões de pessoas. A uma taxa média de 3,5 crianças por lar, tem-se um total de 108 milhões de lares, considerando que haja pelo menos uma criança boazinha em cada lar. 
O Papai Noel tem cerca de 31 horas de Natal para trabalhar, graças à diferença de fuso-horário e à rotação da Terra, considerando que ele viaje de leste para oeste (o que parece lógico). Isso resultaria em 967,7 visitas por segundo, e significa que, para cada casa cristã com uma criança boazinha, Papai Noel tem cerca de 1/1000 segundo para estacionar o trenó, saltar, pular na chaminé, encher as meias, distribuir os presentes restantes sob a árvore, comer algum lanche que tenha sido deixado para ele, subir de volta pela chaminé, entrar no trenó e ir até a próxima casa. Considerando que cada uma das 108 milhões de paradas esteja distribuída uniformemente pelo mundo (o que, naturalmente, sabemos ser falso, mas será aceito para fins de cálculo),estamos falando agora de aproximadamente 1,25km por casa – uma viagem total de 121,5 milhões de km, sem contar idas ao banheiro e descansos. Isso significa que o trenó do Papai Noel move-se a uma velocidade de 1.046 km/s – 3.000 vezes a velocidade do som. Para fins de comparação, o veículo mais veloz já construído pelo homem, a sonda espacial Ulisses, move-se a acanhados 44,1 km/s, e uma rena normal pode correr a 24 km/h (no máximo). Joãozinho, você está prestando atenção?
A carga útil do trenó representa um outro elemento interessante. Considerando que cada criança não receba nada mais que um Lego médio (907g), o trenó levaria mais de 500 mil toneladas, sem contar o peso do “bom velhinho”. Em terra, uma rena normal não puxa mais que 136 kg. Mesmo admitindo que renas “voadoras” pudessem puxar dez vezes o normal, o serviço não poderia ser feito com oito ou nove delas – Papai Noel precisaria de 360.000 renas. Isso aumentaria a carga, sem contar o peso do trenó, mais 54 mil toneladas, ou aproximadamente sete vezes o peso do Queen Elizabeth (o navio, não a monarca). 500 mil toneladas viajando a 1.046km/s cria uma enorme resistência do ar isso aqueceria as renas da mesma maneira que uma nave espacial ao reentrar na atmosfera da Terra. O primeiro par de renas absorveria (14,3×10 elevado a 19) joules de energia por segundo. Em resumo, elas explodiriam em chamas quase que instantaneamente, explodindo as renas atrás delas e criando estrondos sônicos ensurdecedores em seu rastro. Todo o conjunto de renas seria vaporizado em 4,26 milésimos de segundo, ou quase quando Papai Noel atingisse a quinta casa em sua viagem. Porém, nada disso importa, pois o Papai Noel, com a aceleração resultante de uma parada brusca a partir de 1.046 km/s em 0,001 segundo, estaria sujeito a uma força de 17.000 G’s. Um Papai Noel de 113 kg (que parece ridiculamente magro) seria imobilizado no fundo do trenó por 1.957.258 kgf o que esmagaria instantaneamente os seus ossos e órgãos, reduzindo-o a uma bolha trêmula de meleca pegajosa cor-de-rosa. Respondi sua pergunta?
- Sim, papai. Obrigado.

E mais de vinte anos se passaram e o Joãozinho continua acreditando no Papai Noel e lamentando que ele só dá presentes para as crianças... os adultos não ganham nada por se comportar o ano todo?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sincretista

Vai no macumbeiro
Na adventista
Ora o dia inteiro
Quer virar papista

Saca dinheiro
Vira dizimista
Com seu carro esporte
Vai na Metodista

Final de semana
Silas Malafaia
Mas quando se encana
crê em deusa Maia

Vai pra mesquita
até de ressaca
Vira Hinduísta
E adora vaca

Sincretista, sincretista
Sincretista, sincretista
Sincretista...
No candomblé... 

Sincretista, sincretista
Sincretista, sincretista
Sincretista...
Vai onde quer! 

Sincretista, sincretista
Sincretista, sincretista
Sincretista...
Consulta o xamã... 

Sincretista, sincretista
Sincretista, sincretista
Sincretista...
Filha de Iansã!


***

Retrospectiva dos dias 22 em 2012

Sincretista

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E não é que não acabou?! (Pelo menos por enquanto...)

Pois é, minha gente!

São 18h42, e o mundo por enquanto não acabou!

Durante meses eu pensei no quê escreveria nessa data!
Eu queria ter escrito o post bem antes dessa data fatídica, mas arrumei um emprego tempos atrás que tem tomado o meu dia inteiro, e chego em casa quase morto de cansaço. Daí, nem PC tenho ligado...

Tô de férias na rádio até o dia 03/01 (sim, não saí de lá)! 
Achei que gostariam de saber disso também!

By the way...

Lembro que no ano passado, falava-se muito sobre o fim do mundo!
Eu particularmente nunca acreditei nessa hipótese! Maaaaas, nada contra quem vendeu a casa e foi morar como ermitão com toda a família! Afinal de contas, cada um vive da maneira que quiser!

É, meus amigos e amigas!

Lá se vai mais um ano!

Tanta gente que a gente conheceu foi embora!

Aqui mesmo no blog! Acabei de ler que a Ana Paula Tá zarpando, por conta dos novos projetos dela!

Sorte aê, menina! Adorei ler seus textos! Que tudo dê certo pra você!

Minha homenagem também aos que já foram daqui, e que sigo acompanhando pelo Twitter!
Gente boa! Gente fina! Pessoas que moram tão longe de mim mas que parecem tão próximas ao mesmo tempo!

Agradeço a oportunidade de fazer parte desse grupo de blogueiros!
É motivo de orgulho pra mim!

O meu tá lá, tadinho! Abandonado, de certa forma! 
Como já disse, graças ao novo emprego, quase não tenho mais tempo para fazer o que sempre tanto gostei... Mas faz parte da vida! 
Essa mudança na minha chegou quase no finalzinho de 2012... Mas aconteceu!

Durante anos trabalhei duas horas por dia, na rádio!
Agora, é hora de tirar o atraso!

Desculpe se o texto não foi tudo aquilo que você esperava!
Mas não tinha como não ser dessa maneira, como um bate-papo com você, querido leitor!

Dizem que o jogo só termina quando o juiz apita (valeu pelo título, coringão!), e ainda não é meia-noite... Mas acho que o mundo não acaba mais!

Será um prazer estar aqui novamente, em Janeiro de 2013, completando um ano com vocês!

Feliz Natal, galera! Excelente ano novo pra vocês!

Que o nosso Blog das 30 Pessoas continue cativante como sempre foi!

Obrigado pela amizade virtual de todos! Pelos comentários sempre tão bondosos e afáveis!

Deixo aqui, um vídeo que não canso de ver!

Ele fala de lembranças! E tenho tantas por esse mundão de meu Deus e nesse mundão da internet...

Até mais, meus amigos e amigas!

Bjo no coração de cada um e de cada uma de vocês!

Valeu por fazerem parte de minhas lembranças!

Sempre!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

E se não acabar?

Desde a virada do último ano-novo, o assunto é o fim do mundo. 
Não se fala em outra coisa. Os dias passaram, quantas pessoas passaram, tantas coisas aconteceram, tão rápidas, e de repente o dia de tudo acabar já está aí. 
Amanhã.
E motivos não faltam para não duvidar de que o fim está mesmo próximo: pessoas que se atropelam, amores que dilaceram pessoas e crianças que vão pro lixo no sentido mais literal e cru, falcatruas políticas de proporções inimagináveis que passam ilesas diante de tantos olhos indignados, impotentes, corações tão apertados quanto o orçamento das contas de casa. Ninguém mais cede. Mas tudo bem, a gente afrouxa e esquece desse sofrimento todo com qualquer coisa que nos faça rir de imediato, com qualquer novo amigo que nos mostre uma foto do que vai comer agora, e depois descarrega torcendo pro nosso time ser o campeão!

O tempo. Depois da banda larga, a velocidade do tempo está alterada. Tudo é agora, tudo está na mão a um clique, tudo é muito rápido: ao mesmo tempo em que a Luísa está no Canadá, milhões de crianças doentes e animais abandonados pedem a sua ajuda apenas compartilhando esta mensagem. Uma enorme variedade de revelações e opiniões sobre a injustiça mundial explode em RGB na nossa frente, mas no poder continuam sempre os mesmos. E enquanto as revoluções, protestos, e caridade rolam dentro deste enorme Second Life que a internet se tornou, do lado de fora cada um se tranca em sua bolha e nem repara em quem esbarrou, em qual pé pisou, no que a mãe ou o pai avisou... e a vida vai passando na mesma velocidade.

Até que chega hoje. Um dia antes de acabar o mundo. 
Todo ano o mundo acaba e começa de novo para todo mundo. Na teoria ganhamos mais 365 dias novinhos para consertar as merdas que fizemos no ano passado e sermos alguém melhor. A esperança sempre ali, no finalzinho de tudo, nos salvando e chutando a nossa bunda pra frente. 

Só que não amanhã. Amanhã é diferente, amanhã o mundo acaba mesmo!
Sem volta.
Os maias disseram, é definitivo!
Como disse o Nostradamus, dessa data não passa! Mas dessa vez é verdade!

Mas, e se não acabar?
E as pendências que eu queria deixar passar?
Aquela conversa que eu precisava ter tido com a minha mãe?
O abraço que eu devia ter dado nos meus irmãos?
E o salário que eu falei que ia pro meu próximo mochilão?
Todos aqueles cursos que eu ia fazer ano que vem, o emprego novo que eu ia procurar?
Aquele tanto de folhas em branco na gaveta, e as ideias que eu deixei de rascunhar ?
As fotos que eu queria ter revelado, as cartas que podia ter mandado?
O que eu faço com todos os meus projetos parados?

Será que eu já estou conformado que não ia mesmo dar tempo de fazer tudo que havia programado e já aceitei o fim? Assim, de graça, sem fazer nada? 

Aaaah, não mesmo!!
Pois vai acabar e já!
O mundão nosso de cada dia, eu não sei, mas esse mundo de coisas que venho deixando acumular e que acabou me tornando uma grande curva de rio. O fim dele começa agora, chega!
Chega de coisa parada, chega de roupa usada, chega de fazer sala.
Chega do que ocupa algum espaço que não é mais, de deixar a vida escorrer e fazer pouco, ou fazer nada, de apenas vontades que poderiam ser bem mais se virarem verdades.
Vai zerar.
Depois desse fim, vou criar um mundo novo totalmente diferente, com mais mil projetos, objetivos e metas, pra ir mudando, acabando e criando tudo de novo toda vez que me enjoar. Mas vou tentar não atrapalhar o mundo de algum vizinho, nem bagunçar (muito).
Vai começar, e já!

Porque quando o mundo acabar de verdade, da minha parte, vou querer que fique tudo arrumadinho.



... e por falar em acabar, acaba aqui também a minha temporada no Blog dos 30!
Explico: já não é de hoje que os dias 20 passam em branco, venho enfrentando um duradouro bloqueio criativo; por outro lado, mas há um bom tempo também, estou me dedicando em finalizar diversos outros projetos e planos em que me enfiei e que acabaram encostados do lado de fora (da internet).
Por isso, decidi ceder espaço a novos talentos que possam aproveitar melhor este dia, para noooooossa alegria, e enquanto eu permaneço na minha missão de definir pra quais linhas vou pular depois de cada ponto final.

Grande beijo, obrigada e sucesso ao blog!




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Uma dúvida

Fim de ano é engraçado, né? Época em que a gente sempre acha que ano que vem tudo vai dar certo e fica meio desesperado pelas coisas que achávamos que teria dado certo no último ano e não deram. No último ano eu disse que nesse ano eu me casaria, com certeza. "Vai conhecer alguém e se casar em um ano?", meus amigos questionaram. "Sim, vai ser avassalador.", eu respondia. Nem sequer namorei alguém. De avassalador mesmo só teve uma inflamação em um gânglio que eu tive que achei que ia me matar. Mas não.
Aprendi um monte de coisas. A gente sempre aprende. Se bem que nem foram tantas assim. Aprendi a ser mais eu, mais justo comigo e com os outros. Isso da um trabalho. É engraçado mas nem todo mundo quer que você seja muito justo com eles.
Ainda vale uma dúvida pro fim do ano? Quem sabe aprendo mais alguma coisa nesse, né? Se você quer muito ficar com alguém e esse alguém está com outro alguém, mas ainda gosta de você, mas também gosta do outro alguém, você deixa a pessoa ser feliz porque ela já está feliz com esse alguém ou tenta roubar a pessoa desse alguém tornando-o infeliz e ignorando o sofrimento dele e da pessoa que você ama por fazer o outro alguém sofrer? É certo ser antiético quando se está autobeneficiando? Ou o certo é deixar a pessoa ser feliz com o outro porque o amor verdadeiro é privilegiar mais a felicidade da outra pessoa mesmo que não seja a opção mais feliz pra si próprio?
Ano que vem aprendo isso então. E me caso.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Uma palavra rude, que um dia falei pra alguém...

Sofrimento não é meu, seu, nosso. O sofrer transita. Coisa do sentir. Eu não amo. O amor passa por mim. Se eu o convenço a ficar bom. Bom pra mim. Ele tá cagando. Ele transita. Passeia. Me vê indo embora, você indo embora, a vizinha indo embora, todos indo, novos chegando, e continua. Ad eternum. Coisa do sofrer. Do sentir. Essa trupe...


Schopenhauer disse que o amor é a natureza, e que o que ela quer é perpetuar espécie. Somos micro do macro, matéria do todo, pouca e petulante, porém necessária até quando ela achar que é. Paixão, afinidade, pau duro e buceta molhada, tudo truque da ardilosa pra procriar e perpetuar espécie. 
Disse também que entendendo isso eu perderia o medo de morrer. Saberia que morrer é só mais um evento, cíclico feito nascer, meter, procriar e morrer. De novo.


A dona Bete e o seu Antonio fecharam ciclo. Estacionaram a essência por aí. Ela gorda, cega, infantilizada, de rim morto. Ele velho, cardiopata, amável de rim idem. Ela gostava de música boa e de chorar. Ele de sorrir e se preocupar. Ela pidona me chamava (sempre) de Danilo. Ele queria saber do meu fim de semana, e sabia meu nome. Senti a falta deles.


Schopenhauer não explica saudade, vontade de cuidar, de querer ser protegido. Não diz também porque cargas d´água você dá o cu, cola velcro, não compra um fone e gosta de sertanejo. Ou diz em outra obra que meu exemplar de bolso ficou devendo. Não importa. Somos finito infinito, temos prazo e não temos. Micro do macro, lembra? Eu sentiria sua falta.





Bom ano, boa vida, bom fim do mundo. E que não estacionemos na minhoca, assexualidade deve ser um pé no saco.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Parece que os Maias estavam certos

Estou de férias e como é típico ao período, procuro sempre pensar em assuntos que farão a diferença para a sociedade.

O mais recente é o fim do mundo, previsto pelos Maias.

Eu sei que você, provavelmente, é cético quanto a este assunto!
Não o julgo, eu sempre fui também.

Contudo, nesta semana, eu li que o guitarrista do Radiohead (banda a qual respeito e aprecio) está em São Luiz de Paraitinga para esperar tal evento.

O curioso é que quando estava lendo a matéria na Folha ou na UOL e soltei sem pensar a expressão:
Meu Deus! É o fim do mundo! Mesmo lendo depois que essa notícia carece de verdade.

Aliás, recentemente, esta expressão tem feito parte do meu conteúdo lexical. As mesmas palavras também foram pronunciadas quando li que o pessoal do Facebook elegeu o Marcos, ex-goleiro do Palmeiras, como o Nostradamus da atualidade, porque ele disse que o ano que o Corinthians ganhasse a Libertadores, Palmeiras seria rebaixado.

O mais chocante é que tem gente afirmando que ele é mesmo muito sensitivo, afinal, ele é "São".

Mas a melhor e inigualável, que me fez ter certeza de que (sim!) o apocalipse se aproxima, é que o Márcio Garcia, indiano desprezado pela Juliana Paes, é diretor de cinema! E não para por aí! Ele está promovendo um filme, em que ELE PRÓPRIO dirigiu o Andy Garcia, o mesmo que fez Poderoso Chefão 3 e que outrora foi dirigido pelo Francis Coppola, inclusive namorou a filho do homem.

Eu não vejo salvação.
Por isso, se você já estava escrevendo as suas metas para 2013, prefira investir o pouco tempo que, talvez, reste em coisas mais divertidas e prazerosas, é o que eu pretendo fazer!


sábado, 15 de dezembro de 2012

O(di)fício


Tem o que não sabe, mas manda. Tem a perua. O que sempre dá um jeitinho. A mentirosa. O Tonho da Lua. Tem o metido a galã. A fofoqueira. A sedutora decadente. O tiozão engraçadinho do ‘é pavê ou pá cumê?”. Tem a obsessiva-compulsiva. O zero à esquerda. O nervozinho. A doce, inocente, sonhadora. O workaholic. O politicamente correto. Tem a reclamona. A barraqueira. O que vive de atestado. Aquele que parece que o gato comeu a língua. A que adora puxar o tapete. Tem o talentoso subestimado. A caloteira. O chato de galochas. A chorona. O estagiário...

... e para ajudar a aguentar todos eles, tem o décimo terceiro e a cidra da cesta de natal.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Armadura

Nascera com uma dura e feia carapaça nas costas.
No início da vida, a tal armadura traseira, amarronzada, causava-lhe dificuldade para andar e para correr no meio das árvores com suas curtas pernas.
Morava numa parte muito alta da floresta, que o impossibilitava de ir para outras áreas.
Cresceu dessa forma, confinado e conformado com o que tinha.
Apesar de sentir vergonha do adorno que o acompanhava e o protegia ao mesmo tempo, aprendeu a desenvolver suas habilidades, conhecendo cada cantinho do seu habitat natural.
E assim foram-se os anos.
Viu muitos dos seus serem levados pelo tempo e o tempo levar muitos.
E chegou o tempo em que aprendeu a lidar com a feia couraça e percebeu que, mesmo não tendo boa aparência, ela era muito útil para proteger-lhe das ameaças que surgiam vez ou outra.
Então veio o dia em que a rotina, dividida entre seu buraco escuro e as longas corridas pela curta mata, não o satisfazia mais.
Foi numa tarde de sol estridente, sentado à beira do precipício, que dividia sua floresta das outras partes, que pensou:
- Eu poderia conhecer outros lugares.
Pensou isso batendo suas curtas pernas contra as rochas calcárias e assistiu os fragmentos deslizarem entre os arbustos, até se desfazerem no final do rochedo.
Deitou-se. E observando o céu pensou na possibilidade de ter asas, mas logo se lembrou da couraça no seu corpo.
E foi também sentado, em mais uma tarde, que os brilhos, os sons e o movimento da floresta de baixo, pareceram mais sedutores do que nunca.
Inebriado com a ideia de não precisar arrastar sua carapaça a vida toda pelos mesmos arbustos espinhosos, pensou:
- Deve haver flores mais coloridas e perfumadas, deve existir lagos de águas mais cristalinas e comidas de sabores diferentes.
Neste mesmo momento o medo ficou para trás. O grande medo de ser o único no novo lugar com aquela couraça esquisita se dissolveu como areia na água.
Juntou os pés, abaixou a cabeça e se curvou no eixo na barriga. Agora seu corpo era uma esfera.
Sem dar nova chance ao temor, tomou impulso e rolou.
Rolou e rolou, quicando entre os arbustos e rochedos, numa velocidade incrível. Seu cérebro era uma folha em branco, não conseguia pensar em nada.
A descida parecia durar uma eternidade.
Acordou sem saber quantas horas haviam se passado, ainda zonzo e sentindo dores alucinantes . Sua couraça estava feito um quebra-cabeça, espalhada entre as rochas que rolaram junto.
Não houve momento de despedidas. Foi pensar e rolar.
A nova vida que veio pela frente não era tão doce quanto imaginava. As flores não eram tão cheirosas e coloridas, a água não tinha o mesmo brilho vista de perto.
Havia agora muito mais concorrência por comida e por espaço. A nova floresta era realmente grande, mas na mesma proporção, hostil.
Comprovou que existiam outros de sua espécie, mas agora ele era o diferente por não ter mais a carapaça que tanto o incomodava e isso também significava não ter mais a proteção que o matinha vivo e forte.
Acostumou-se a voltar em muitas noites para o ponto onde rolara. De lá, deitado, ele pensava que aquele era o mesmo céu, com o mesmo cintilar de estrelas que ele via da floresta de cima. Isso o confortava.
Com medo, com saudade, cansado, sem sua armadura, na floresta hostil, ele pensou em voz alta:

- Não há nada que eu não possa me adaptar.

Desde então, orgulhoso de sua coragem, o tombo passou a valer à pena.