terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Origamis transcendentais de guardanapo (Por Gilberto Amendola)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
2010
Como definir 2010? Sim, foi um grande ano. Muitos recomeços, do jeito que todo ano zero que se preze deve ser. O meu grande recomeço foi ter mudado de emprego. Eu nem ganho lá essas coisas e nem é pelas roupas sérias e sapatos que eu tenho que usar, mas eu me sinto uns 40% mais adulta. Com direito a joanete e depressão de domingo.
E comprei um carro. Eu andava nos carros dos meus pais, ou dos meu irmãos, o que podia ter tirado a importância do todo, mas não, comprar um carro, zero, o meu carro, lindo e perfumado, com meu dinheiro, foi muito legal. Muito mesmo. Valeu a pena não ser mimada o suficiente para ganhar um carro por ter passado no vestibular.
Ganhei um sobrinho. Quer dizer, ele nem nasceu ainda, mas já é o meu sobrinho. O João Vicente. Quem me conhece sabe o quanto eu queria um sobrinho. Sempre quis. Desde quando meu irmão arrumou a primeira namoradinha. Minha mãe implorando a Deus que uma “desgraça” acontecesse na vida do meu irmão, e eu torcendo pelo contrário. Acho que é síndrome de caçula, que não tem irmão mais novo para paparicar.
Falando do meu irmão, esse ano ele saiu de casa. Foi morar com a namorada. Eu sempre torrei o saco para que ele fizesse isso, mas quando aconteceu achei de uma tristeza sem fim, o guarda-roupa vazio, as conversas antes de dormir, até aquela coisa nojenta que ele fazia com o fio dental, tudo fez falta, mas ele está feliz lá com a mulher e com o monte de cachorros que eles adotaram.
Já minha irmã, tão logo soube que estava grávida, resolveu oficializar a união. E lá se foram dois meses de correria. Será que dá tempo? Será que vai aparecer a barriga? Mas e daí se aparecer a barriga? No fim tudo deu certo, com meu pai chorando, o noivo gaguejando, a cantora desafinando e os presentes que não chegavam. Nenhum. Mas foi tudo um erro de informação, agora já está tudo em seu lugar. Ou quase, mas a almoço de ano novo já foi no apartamento novo do casal, para estreiar.
E pimba, já estamos em 2011.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Começando 2011 com o pé... na jaca.
Coloquei o meu Nintendo Wii numa mochila e fui à casa do meu primo. A ideia inicial era jogar videogame depois de tomar um banho de piscina, mas o tempo escureceu e a ideia foi abortada. Éramos três. Fulano também estava presente. Jogamos tênis, beisebol, boliche e mais alguns outros jogos. Nenhum deles despertou muito interesse.
Saímos para comprar alguns medicamentos para o gato do meu primo que estava doente e almoçar. Perto da casa dele, no Humaitá, existe uma quantidade inacreditável de lojas para animais domésticos. Pelo incrível que pareça, encontrar algum restaurante aberto foi muito mais difícil do que encontrar uma pet shop aberta. Tudo já estava fechado na Cobal do Humaitá, salvo um pequeno restaurante árabe. Os dois toparam, mas eu disse que o meu último almoço do ano não seria, nem por um decreto, quibe e esfirra. Fomos salvos pelo digníssimo Koni Store. Pedi um sunomono de entrada, um koni roast tuna, um poke roll e um Iced Tea de limão. Voltamos para medicar o gato e eu estava ansioso para jogar novamente o Wii, sobretudo o boliche, meu jogo preferido. Sabia que o jogo Pro Evolution Soccer 2011 era um concorrente ferrenho, então tratei logo de ligar o boliche para não dar sorte ao azar. Fulano jogava muito mal. Ele era mais irregular do que um bêbado tentando andar em linha reta. Mas ainda assim, o jogo fez sucesso. O meu primo tinha um rendimento bom, mas eu ganhava sempre todas as partidas. Até que com o andamento dos jogos, a coisa foi mudando de figura. Fulano teve uma melhora histórica que deveria inclusive ser registrada no livro dos recordes e eu comecei a perder algumas partidas. Fulano agora tinha técnica no seu lançamento e fazia um strike atrás do outro. Ele conseguiu a marca histórica de cinco strikes seguidos, o meu recorde eram quatro seguidos. Só para efeito de nota de rodapé, no dia seguinte eu consegui um “six-pack” ou seis strikes seguidos. Mas como o foco dessa história é o dia trinta e um de dezembro de 2010, não vou me ater ao dia seguinte.
Detonamos todas as cervejas da casa. Não eram muitas, mas também não eram poucas. Depois partimos para a vodka, misturando com um honesto suco de uva que o meu primo nos ofereceu. O suco de uva acabou e a gente teve que sacrificar a água de côco que tinha sido comprada exclusivamente para o gato, a pedido da veterinária. Ficamos de repor, sem falta, no dia seguinte. Era bem difícil parar de jogar aquele jogo viciante. Mas às dez da noite, a gente conseguiu. Tínhamos uma grande festa de réveillon na praia do Leblon. Aliás, um lugar muito importante na minha história de vida, recheada de “impulsos estranhos”. O efeito da bebida teve um efeito triplicado em mim devido ao empolgante jogo de boliche. A casa do meu prêmio é no início do Humaitá e a minha casa é no Jardim Botânico, quase na divisa com o bairro dele. Logo, foi fácil chegar em casa de carro para tomar banho e me trocar. Só precisei seguir uma curta linha reta e dobrar à direita. Tudo lindo e maravilhoso. Até eu ter a brilhante ideia de ir até o Leblon. E não foi só isso. Parei o carro em frente à casa do meu primo e liguei.
- Vocês estão prontos?
- Quase.
- Estou aqui embaixo. Vocês vão comigo de carro.
- O que é isso cara?
A gente tinha combinado de se encontrar na casa de Cicrano, na rua Almirante Pereira Guimarães, que ficava bem em frente à festa.
O trajeto foi tranqüilo. Nada de Lei Seca no caminho. Pegamos a Lagoa, entramos naquela rua da Cruzada, que dá para o Shopping Leblon e viramos na General San Martin. A rua Almirante Pereira Guimarães era a próxima, à esquerda, mas não dava mão. Além de entrar na contramão, eu fiz a curva dando um cavalo de pau, como se eu tivesse dezoito anos novamente. Foi uma atitude vergonhosa e patética. Tudo bem que foi um cavalo de pau brando, mas eu poderia ter perdido o controle do carro. Quando todos no carro respiravam aliviados, sobretudo o motorista, o meu primo disse:
- Tem um carro da PM vindo aí.
- Foge, foge – esbravejou Fulano.
- Vamos todos ficar calmos – eu disse – vou encostar o carro e vai dar tudo certo. Ninguém aqui fuma maconha ou usa drogas. Eles podem revistar o carro inteiro que não vão encontrar nada.
Dois policiais armados pediram para que os três saíssem do veículo. Ele perguntou se a gente havia usado drogas. Dissemos que não. Mostrei carteira de habilitação e documento do carro. Tudo ok. Conforme eu havia previsto, eles revistaram o carro inteiro e não encontraram nada. Eu achei que eu levaria uma multa pelo cavalo de pau e a contramão, mas nada aconteceu. Pelo menos por enquanto. Já passava das onze horas. Conseguimos parar o carro na garagem do prédio de Cicrano. Hoje é dia 2 de janeiro, já passa de duas da tarde. Meu carro continua lá.
Fomos até à casa dele para tomar o último drink antes da festa. Até então eu estava ótimo. Mas em questão de minutos, comecei a me sentir muito mal. Chegamos na festa e eu tratei logo de sentar numa cadeira. Passei a virada do ano vomitando as tripas, estava me sentindo realmente muito mal. Todos os meus amigos pensavam que a festa tinha acabado pra mim. Porém, às duas e meia da manhã eu tive forças para levantar e sobreviver na festa à base de água e Coca-Cola. Fiquei perambulando pela festa até encontrar outros dois grandes amigos que eu nem sabia que estariam lá. Ao som de músicas tenebrosas como “Eu to tranquilão”, do Mc Sapão e “Do Seu Lado” do Jota Quest e outras incríveis como “Mulher de Fases”, dos Raimundos e “Pelados em Santos” do Mamonas Assassinas, agüentei bem até às cinco horas da manhã. Devido ao meu estado vomitativo, tive a decência de não ter ficar com nenhuma menina do evento. Se não bastasse a falta de consideração que eu teria com a “felizarda”, devo confessar que eu estava com muito nojo de mim mesmo para uma operação desse tipo.
sábado, 1 de janeiro de 2011
ano 30
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Programa SP 2040
Enquanto a prefeitura de Sampa divulga o planejamento para 2040, recheado de letrinhas e palavrinhas que muito me ilude, como:promoção do equilíbrio social, desenvolvimento urbano e sustentável, mobilidade e acessibilidade, melhoria ambiental e oportunidade de negócios. Além do principal, se não mais importante foco, na qualidade de vida dos moradores, com investimentos na Educação e Saúde Pública. Um verdadeiro conto da carochinha, queira Deus e a sorte do universo que eu esteja enganada. Enfim... Lembrei que eu estou: sem plano, sem meta e sem programa para daqui a cinco meses, dirá para 2040, ano que eu nem sei se estarei viva.
Lembrei também de um livro. Uma leitura de anos, do livro emprestado que não devolvi (também lembrei agora) cujo autor, enfatiza a importância do planejamento. Se não, a longo prazo, como nas empresas made in china, made in japão, made in usa, com planejamento para 20,30, 50 anos, pelo menos para uma semana,um mês, seis meses, um ano. Achei graça quando li. Porque sempre fiquei a mercê da sorte, circunstâncias e divino. Muito crente que a qualquer momento a lua se voltaria pro meu rabo, tendo em vista que o meu rabo não nasceu virado pra lua e menos ainda para o sol.
Até que resolvi me testar.
Decidi do nada estabelecer metas curtas e simbólicas, das quais, eram certeza o alcance. A princípio foi bom e acabei por aumentá-las pouco a pouco. Isto me deixou um pouco mais organizada, mas não o suficiente para planejamento a longo prazo. Foi um teste, a cobaia, eu mesma. E confesso, a ideia surgiu a partir da leitura do livro que não devolvi, do autor, idoso, rabudo, bilionário, pão duro, capitalista e empresário famoso.
Ao ler o programa de Sampa senti uma certa necessidade de organizar algumas coisas. Ou estabelecer metas a minha vida. A ser mais centrada no que faço; a ter menos atrasos, em tudo e pra tudo; a ter mais objetivos; a ter mais opções para driblar o tédio; a ter mais vontade de viver e por aí vai...Mas eu bem sei, que essa vontade de organização e planejamento a perder de vista, não funciona comigo.
Estabelecer metas a longo prazo significa ficar amarrada a obrigatoriedade de cumpri-lás. Além de perder a liberdade de mudanças. Ignorar o fato de que estou sujeita a metamorfoses constantes, sujeita a adaptações do tempo, a mudanças de metas e objetivos...Embora, tão teimosa, tenho que admitir, metade do que planejei quando tinha 20 anos ficou para trás.
Matei e ressucitei alguns sonhos, melhorei algumas coisas e não consegui transformar outras. A única certeza - a morte, mais dia menos dia ela virá, queira não queira ela virá, aceite e não aceite ela virá. E a única diferença entre eu e os abastados, cujo rabo nasceu virado para o sistema solar, é o enterro e os vermes, talvez um cemitério ou crematório chique, ou verme mais hábil para devorar a carcaça. No mais, nenhuma diferença, nem melhor e nem pior, iguais.
Portanto, sinto muito, não farei como a prefeitura de Sampa. Nada de programa, com planejamento a perder de vista. Já que corre o risco de ficar no papel ou perdido numa janela "killer" frustrada e amargurada, por não concluir o programa. Continuarei no curto prazo, sonhando sempre muito alto, sem perder de vista, o agora, o já, o instante, porque isto que é vida!
Então, para os próximos quatro dias segue meu programa:
- enfiar o pé na bunda de 2010 e correr para o abraço e encontro de 2011.
- sorrir muito e dar muita risada.
- brincar nas pedras, fazer tudo aquilo que fiz quando visitei a cidade em outubro e + um pouco, sambar na areia e ver o sol se perder no mar.
- abraçar meu amigos e fazer outros amigos.
- ficar extremamente bronzeada, com marca sensual de biquíni.
- voltar com a carinha que Deus deu pra cima, rindo, com sorriso largo...
Para receber bem o ano de 2011.
Feliz Ano Novo!
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Stop Motion - de quadro a quadro
É provável que você já tenha ouvido falar, e mais provável ainda que você já tenha visto alguma animação feita com a técnica chamada Stop Motion. Se você, como um espírito incansável de criança, viu “A Fuga das Galinhas” ou “Wallace e Gromit” ou ainda “O Estranho Mundo de Jack”, já está familiarizado com o assunto.
Stop Motion é uma técnica em que o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, quadro a quadro, e que, quando passados rapidamente, dão a ilusão de movimento.
Na verdade, essa técnica surgiu juntamente com o cinema e foi mais trabalhada quando começaram a surgir as primeiras animações - como é o caso do longa da Disney “Branca de Neve” (1937). Eu me lembro, quando pequenina, que no final da exibição filme + créditos da fita VHS, havia um making off da produção, da montagem quadro a quadro e da escolha da trilha sonora.
Pra matar a saudade, consegui encontrar esse making off no Youtube:
Bom, hoje, com os artifícios high tech que vemos por aí, as animações são digitalizadas, tudo bonitinho, tudo parecendo de verdade. Mas, sempre existem (e ainda bem que existem) os queridos e criativos inovadores. Tim Burton é um deles. Depois da produção do longa “O Estranho Mundo de Jack” (1993), ainda dirigiu “A Noiva Cadáver” (2005). Ambos com o uso de bonecos e cenários reais, quadro a quadro. Imaginem o trabalhão!
Na internet a fora também encontramos provas que o futuro do Stop Motion é brilhante e que não morrerá com o avanço da computação gráfica. A técnica é também utilizada para construção de videoclipes, curtas, propagandas e outros trabalhos audiovisuais que necessitem de impacto e um toque de magia na concretização.
Recentemente conheci um videoclipe que já vi, vi de novo, mais uma vez e viciei! Uma coisa linda. Um trabalho artístico e alto padrão e criatividade. O nome do músico é Oren Lavie, que também dirige o videoclipe. É um israelita que já foi diretor e roteirista e hoje decidiu (para nossa sorte!) compor e cantar. O artista já teve suas músicas carimbadas na trilha sonora do filme “As Crônicas de Nárnia”, mas ficou mais conhecido mesmo através desse clipe, lançado esse ano.
Abaixo:
Um amigo meu, sabendo dessa paixão por Stop Motion, me enviou via twitter (@SimiaoCastro) uma produção graciosa e super bem elaborada. Acredito que foram dias e dias de muito trabalho para concretização desse vídeo. É uma propaganda da marca de câmeras fotográficas Olympus. Para essa produção, foram tiradas 60.000 fotos, reveladas 9.600 e, para a organização em quadro a quadro, mais 1.800 fotografadas novamente. Um abuso da capacidade criadora! Haha
Mas é um vídeo encantador!
Abaixo temos mais três exemplos muito bem trabalhados. O primeiro é uma propaganda da Ebay, que imita o layout do site com folhas de papel desenhadas. O segundo é um projeto do Colégio de Arte e Design e Savannah, todo dirigido por japoneses, que utiliza como base a colagem de Post-It formando desenhos. Já o terceiro é um jogo humano de tétris muito muito inovador!rs
Bom, fico por aqui!
Espero que tenham gostado :)
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Ho ho ho!
Wave of Mutilation
Ouvi muita idiotice, vi como a vida alheia nada representa. Mas quem pode julgar aquele homem? Quem sabe as dores e angustias que o atormentavam? O salto de 40 metros ou mais, veio como um alívio, um analgésico eterno. Anos e anos de alegrias e tristezas, de amores e ódios, se esvaiam pelo concreto cinza da calçada.
Se ele quis assim, que bom que obteve sucesso.
Em sua homenagem deixo uma musica que aprecio, fala sobre suicidas japoneses.
Wave Of Mutilation - Pixies
Cease to resist, giving my goodbye
drive my car into the ocean
you'll think i'm dead, but i sail away
on a wave of mutilation
a wave
wave
i've kissed mermaids, rode the el nino
walked the sand with the crustaceans
could find my way to mariana
on a wave of mutilation,
wave of mutilation
wave of mutilation
wave
wave of mutilation
wave
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Amor Incondicional
Super me identifiquei com o cachorrinho. Porque as pessoas não podem nos amar como somos, sem sapatos? Só abanar o rabo quando o dono chega não deveria bastar?
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Reflexão sobre a Vida
Não sei como dizer, mas ler esse livro fez com que eu repensasse a vida e viajasse no tempo, lembrando da época da faculdade. Conheci tantas Macabéas na vida e nunca tinha me dado conta disso antes. Mas me lembrei bem de uma, um rosto que me marcou muito. Curioso, né? Justamente o rosto de uma garota sem rosto. Todo dia ao entrar na sala, eu via a garota sentada, esperando a aula começar. No rosto dela, nem ansiedade nem tédio – um rosto vazio, que não demonstrava nada. Do começo ao fim da aula, aquela mesma expressão, ou melhor, não-expressão. Todos tinham um grupo de colegas, todo mundo encontrava compatibilidade com outra pessoa. Menos ela. Sempre sozinha. Chegava antes de todos e ia embora por último, nunca ouvi a voz dela.
Até poderia descrever essa menina, mas não tem um porquê de fazer isso. Ela pode ser qualquer pessoa que passa por aí na rua, olhando pro nada, físico igual ao de todas as outras garotas que também não têm uma personalidade destacada. Assim como Macabéa, ela não fazia diferença pro mundo. Eu imaginava como era a relação dela com os pais – eles a amavam, lhe davam carinho? Imaginei o que fazia na sua casa – ouvia música, via filmes? Não, eu tinha certeza que não. A arte a sufocaria, ela talvez nem fosse inteligente para compreendê-la. Ela devia escrever poesia, uma letra torta e rimas pobres, devia escrever sobre como se sentia sozinha e como isso um dia mudaria.
Não pude deixar de pensar: será que mudou? Como disse, faz tempo que me graduei, desde então eu nunca mais a vi. Mas ela devia estar por aí, andando com a sua blusa rosa no braço, segurando os seus livros, olhando sempre sem levantar a cabeça. Aí, também tive que me perguntar: será que ter vivido fez diferença pra ela? E também me perguntei: será que fez diferença pra mim? Por que então eu me lembrei dessa garota? Eu até acharia que é porque foi dela que lembrei, mas acho que no fundo tem um motivo mais egoísta. Saber que ela era assim e que é assim até hoje provavelmente me afirma como alguém melhor do que ela – tive amigos, vivi bem, experimentei muitas coisas novas, amei alguém. Nunca fui a pessoa sem sal que ela foi nem deixei de me fazer notar. Hoje tô repensando a vida, buscando validade nas coisas que fiz – e tenho dó dela, que provavelmente nunca poderá repensar a vida que nunca teve.
(Vale esclarecer que, para esse texto, é preciso diferenciar autor do narrador. Tal como Machado de Assis ao compor Dom Casmurro - ele, autor; Bentinho, narrador -, o mesmo processo se aplica aqui)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Desconstruindo Papai Noel
"- Aquele velhinho que fica lá no shopping?"
"- É, ele mesmo!"
"- Não! Ele fede, eca..."
"- Ãh, e você, Bia? Gosta do papai noel?"
"- Não!!! Eu tenho medo dele!"
"- Er... Kati?"
"- Ahhh, não gosto muito não, tia... Uma vez eu puxei a barba dele e vi que era de mentira. Ele ficou brabo e me deu um beliscão!"
"- Poutz! E você, Paulinho? Também não gosta do papai noel?"
"- Eu? Eu adoooro o papai noel!"
"- Ufa, enfim uma criança normal..."
"- Ele me deixou ver o seu saco!"
"- O saco de presentes?"
"- Não! O que fica escondidinho e..."
"- Pshhhhhhhhhhh!"
E enquanto nos preocupamos em encher as nossas mesas com fartura e presentear os nossos entes queridos, certamente muita gente não vai poder sonhar com uma noite de brilhos e de sonhos... Feliz Natal para quem acredita.
Publicitária e aspirante a bióloga, com especialidade em entomologia, meu CID é o 10 N-18, em outras palavras tenho IRC e aguardo pelo duplo-transplante. Tatuada, tenho humor ácido e de gosto duvidoso, pois, apesar de não recomendado, adoro torresmo de boteco.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Viajar é viver e vice versa
domingo, 19 de dezembro de 2010
Não venham
sábado, 18 de dezembro de 2010
Sua culpa Cabral
Ora se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim, dispenso a previsão
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
De repente é dezembro
De repente a Simone urra nas rádios, de repente meu pai surge vestido de Papai Noel, de repente minha cunhada aparece com um panetone. Olho no meu celular e me espanto que de repente tem um 12 depois da data, me apavoro com as pessoas dizendo “fica pro ano que vem” sem ironias, de repente a cidade se enche de luzinhas. De repente eu voltei de uma viagem longa e o ano tá acabando, que brincadeira de mau gosto é essa, e meu preparo psicológico de ver tudo se arrastar para enfim terminar? De repente conto uma história dos tempos da faculdade e reparo, em choque, que não aconteceu há dois anos, mas há seis. De repente entendi mais do que nunca Quintana, de repente eu tenho 25 anos, de repente é aniversário do Gil, de repente minha amiga de infância vai ter filho. De repente, tempo, senti que você está de sacanagem comigo, antes você passava mais suave, camarada. Para de correr assim, me dá tempo pra pensar.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Heineken, TIM e 8.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Prezada Manguaça
Tive uma epifania forçada após meu último fiasco e entendi que já perdeu a graça as patetices que você me leva a fazer. Tampouco há charme em não lembrar, nem vagamente, o que fiz embreagada. Muito embora você renda os assuntos mais divertidos tratados em depoimentos jamais aceitos pelo orkut, já não compensa mais para mim passar o domingo inteiro me contorcendo de ressaca em troca deles. Não quero mais remoer atitudes impensadas e ter que aguentar o olhar de reprovação ou as risadinhas marotas de gente que pensa que a existência delas é menos ridícula que a minha.
Demorou, mas eu estou começando a pegar a ideia de que as pessoas são chatas, a música vai sempre me desagradar e as festas não são mais para mim. E eu me anestesiar até a morte não modificará nenhum dos fatos. Por isso farei igual ao Charlie Harper: vou parar com o álcool. Daqui para frente, só cerveja e vinho.
Não confunda este desabafo com ingratidão. Não te quero mal, só acho que precisamos seguir nossos caminhos: você, corrompendo novas almas e eu, conseguindo fazer o quatro com as pernas. Obrigada pela companhia que me fez até hoje e espero que você não se importe de eu mencionar futuramente alguns de nossos homéricos momentos para provar para os meus netos (ou companheiros de asilo) o quanto tive uma juventude radical.
Att.;
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Passio
A tua hipocondria
Não é hipocrisia
Acho até que você me ama
Dividimos a cama
E a quarentena
Não é o mesmo que ter prazer
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Sobre deuses e monstros
sábado, 11 de dezembro de 2010
Olha o meu tamanho!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Emprestando da amiga
calor no inverno
até calafrios de febre
podem substituir ventiladores
quando faz calor em pleno inverno
e alguém esquece de puxar os fios
do frio
a cidade e todos que conhecemos
não andam se entendendo
nós, ao contrário da cidade,
quase sempre lavamos sozinhos
e com capricho
os cabelos
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Conversa ( Carol Campregher)
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Sr.F e a Solidão
Sr. F e a Solidão
sábado, 4 de dezembro de 2010
Depois de estourar tempo regulamentar
Moro em Poços de Caldas e trabalho em São Joao da Boa Vista. Vou e volto todo dia. Quarenta minutos de carro. Perto, né? Eu gastava mais tempo quando morava em São Bernardo e trabalhava na Paulista. Não quis me mudar e assumir o peso de aluguel e gastos com casa (prefiro gastar meu dinheiro com coisas supérfluas), e muito menos quis morar em republica, não a essa altura do campeonato. Digo que já esgotei minha cota de repúblicas, pois convenhamos, é uma merda.
A maioria acha uma loucura viajar todo dia, mas eu gosto da ideia de voltar pra minha cidade, pra minha casa, pra minha cama e, principalmente, dormir de edredon. Gente, dormir descoberto não é vida, ok? E não, em São João não seria possível, lá é um calor dos infernos. Saio de casa de blusa de frio e chego lá implorando por uma havaiana.
Acho curioso que duas cidades tão perto sejam tão distintas. Além do clima, o comercio é totalmente diferente, com umas lojas caríssimas, o que me leva a crer que lá as pessoas tem mais dinheiro. Lá falam “acha?” o tempo todo, uma interjeição que não entendo muito bem e quase todo mundo tem o sobrenome Vasconcellos.
Os São Joanenses se orgulham muito do seu crepúsculo. Dizem que é o mais bonito do país. Fico pensando: onde se julga isso? Existe o comitê nacional do crepúsculo? CNC? De qualquer forma não posso contestar. Cinco horas da tarde eu já estou no ônibus de volta. E falam assim mesmo, crepúsculo. Antes da trilogia dos vampirinhos. Eu prefiro entardecer. Ou pôr-do-sol. Bem mais bonito.
Outra curiosidade é a luminosidade da cidade. A segunda cidade mais luminosa do brasil. A culpa é da topografia, dizem. E parece que isso não é uma coisa boa não. Falam em até alto índice de suicídio. Parece que o cérebro não reage bem a toda essa luz. Acho que os neurônios fritam, sei lá.
Dai já não sei se fui sugestionada, mas agora começo a achar a cidade clara demais mesmo. E é uma luz que cansa. Muitos já me indicaram usar óculos escuros na rua. Nem trabalho tanto assim, mas chego totalmente esgotada em casa, a ponto de só querer dormir, dormir, e não conseguir ter ânimo de fazer nada, nem de pensar em blog, desculpem. Mas cá estamos, porque mais do que sentir cansaço, eu sinto culpa.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Uma Odisseia em San Francisco
Cheguei em San Francisco no dia 10 de novembro de 2010. Me hospedei na casa de uma amiga dos tempos de colégio que dividia o apartamento com um amigo coreano. Já o tinha visto no Brasil umas duas ou três vezes. Depois daquele papo básico inicial do tipo “tudo bem, cara?”, “como foi de viagem?”, “que bom te ver por aqui”, ele emendou com uma pergunta totalmente inesperada. Imagine o show da sua banda preferida. Seria o equivalente aos caras tocarem aquela música que você tanto gosta, mas nunca é executada ao vivo.
- Quer jogar futebol hoje?
Quando eu disse sim, a minha amiga me olhou incrédula. Ela já sabia que ele me faria o convite, mas achava que eu ia recusar. Ela pensou que eu ia dizer que estava cansado da viagem, como se macaco recusasse banana. Eu poderia estar dez noites sem dormir que eu não desperdiçaria aquela oportunidade. Ainda mais em solo estrangeiro, numa semifinal de um campeonato amador, podendo jogar a final no mesmo dia e sair de lá “campeão”.
- Só tem um problema – eu disse. – Eu não tenho chuteira e nem short.
Eu fiz aquele comentário já cogitando a possibilidade de comprar uma chuteira nova no mesmo dia(estava mesmo precisando de uma e ainda estou!), caso ele dissesse que não poderia me ajudar.
- Não se preocupe quanto a isso. Eu arrumo pra você. O único problema é a sua legalização na partida. Talvez o juiz não deixe você jogar porque você não está inscrito no torneio. Mas a partida é só às nove da noite. Eu dou um jeito até lá.
Então eu saí para passear pela cidade com a minha amiga. Só voltamos à noite. Tudo certo. Vesti o short, o meião, coloquei o meu sapatênis e fomos – a chuteira seria entregue por outro jogador na hora do jogo.
Tratava-se de um enorme complexo futebolístico de grama sintética com dezenas de partidas sendo disputadas ao mesmo tempo. O número de mulheres no complexo excedia o número de homens, o que não era uma grande surpresa, estávamos nos Estados Unidos. No “nosso campo” rolava a outra semifinal do torneio. Felizmente o melhor time desse confronto perdeu nos pênaltis. Aos poucos, os jogadores do nosso time foram chegando, os do outro time também. E não era só isso. O outro time tinha uma torcida muito animada com diversos cartazes, composta por oito ou dez indivíduos, na sua maioria fêmeas. Os cartazes eram extremamente mal feitos. Só no fim da partida, quando cheguei muito perto, eu consegui ler o que estava escrito.
O nosso time tinha três reservas: eu e mais dois. Mas eles explicaram que o time deveria fazer um rodízio a cada cinco minutos. Quem estivesse cansado deveria dar lugar a outro. Se não me engano, cada tempo tinha 25 minutos.
O juiz apitou o início do jogo e para o meu espanto, eu era um dos titulares. Não fazia sentido algum. Eu não conhecia ninguém e nunca tinham me visto jogar antes. Será que o capitão do time apostou em mim só porque eu era brasileiro?
Pouco importa. Comecei correndo que nem um louco e fui para o ataque. Porém, um cara do time baixou a minha bola. Disse que eu deveria fazer a lateral esquerda, ou seja, jogar mais recuado. Se não bastasse isso, o juiz chegou bem perto de mim e disse que eu não poderia jogar sem alguma coisa que eu não estava entendendo. A primeira coisa que eu pensei foi no tal problema de legalização que o coreano havia me explicado mais cedo. Mas não era nada disso. Um jogador do meu time me mostrou o que eu precisava pra jogar: caneleiras. Sem caneleiras eu teria de ficar do lado de fora, morrendo de frio e de ódio.
Saí correndo feito um louco novamente, mas dessa vez em direção às mochilas que estavam atrás do gol, ao lado da torcidinha de merda do time deles. Abri umas três mochilas até encontrar o que eu precisava. Não sabia de quem eram aquelas mochilas. Não foi um ato muito ético da minha parte, mas depois do jogo eu devolveria. Poderia ser uma mochila de alguém do outro time, ou até de alguém que tinha jogado a outra semifinal. A única coisa importante naquele momento era poder jogar futebol.
Fim do primeiro tempo. 0 x 0. Joguei muito mal. Estava puto com a minha atuação. Mas eu já tinha um plano para o segundo tempo. Começaria na reserva e só entraria quando alguém do ataque saísse. E jogaria até o fim do jogo, ou caso alguém me tirasse na base da força.
O pessoal do banco de reservas foi entrando e quando chegou a minha vez de entrar, quem saiu foi um cara do meio campo. Cedi a minha vez. Depois saiu um zagueiro e também cedi a minha vez. Até que finalmente um dos atacantes foi pro banco.
Eram 7 jogadores na linha e um no gol. O outro time tinha muito mais volume de jogo, muito mais posse de bola. O nosso time jogava no contra-ataque. E era justamente por isso que eu fazia questão de ir pro ataque. Sabia que podia levar a zaga do time adversário na minha velocidade.
Logo no meu primeiro lance, quase marco um golaço. Recebo a bola na direita. Puxo a bola pro meio, carregando com a esquerda, que é a perna boa, a marcação se atrapalha, continuo carregando pelo meio e fico cara a cara com o goleiro. Era só bater colocado no canto e correr pro abraço, mas o chute saiu fraco, no meio do gol.
Continuei fazendo boas jogadas até que em mais um contra-ataque do nosso time, um cara foi até a linha de fundo e lançou pra mim no meio da área. Só tive o trabalho de empurrar a bola pra dentro do gol. 1 x 0. O jogo já estava acabando. Era só segurar a vitória. Em mais um contra-ataque, fiz bela jogada pelo lado direito e deixei o cara que tinha me dado a assistência pro gol, cara a cara com o goleiro. Estava retribuindo a gentileza. Era só marcar e carimbar o passaporte para a final. Ele também chutou em cima do goleiro e no último minuto, o time deles empata com um gol bastante semelhante ao nosso que levou a torcidinha de merda à loucura.
Prorrogação. 5 minutos cada tempo. Se continuasse empate, pênaltis. E no último minuto do segundo tempo da prorrogação os caras marcaram mais um gol e viraram a partida. Eu, o coreano e a minha amiga de infância ficamos arrasados com aquela virada inesperada. Ainda mais depois ter o jogo na mão. Mas ainda assim, valeu muito pela experiência única de ter jogado um torneio de futebol amador em San Francisco.
Eu achava que seria o evento mais inusitado daquela viagem, mas definitvamente não foi. Na quarta-feira seguinte, em Seattle, aconteceu talvez a aventura mais incrível de toda a minha vida. Não só pelo o que aconteceu em si, mas por toda a história, tudo que desencadeou o episódio. Então não perca, dia 17 de dezembro, “Uma Odisseia em Seattle”. Será postado no meu blog pessoal: http://paulopilha.wordpress.com/
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
antes que o livro acabe
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.
