quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Agradeço a santo Expedito pela graça não recebida

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.


Comandante de uma legião romana, Expedito tinha uma vida devassa antes de converter-se ao cristianismo. Prestes a aposentar sua porção Messalina subindo (e descendo) pelas paredes, apareceu-lhe um espírito maligno na forma de um corvo. Negra como a cabeleira do Sarney, a ave crocitava cras, palavra latina que significa “amanhã”. Decidido e arretado, o futuro santo das causas urgentes pisou na ave bradando hodie, ou seja, “hoje”.

Me lembrei dessa historinha ao dar conta (sem trocadilho, infelizmente) de uma infinitude de deadlines, mais uma expressão do estúpido dialeto corporativo que infesta o vocabulário pobre de alguns chefetes. O fato é que deixar tudo para a última hora não é exclusividade brasileira, ao contrário do que apregoam todos os anos as soporíferas matérias sobre a entrega do Imposto de Renda ou as compras de final de ano, por exemplo.

O fenômeno foi descrito nas páginas da The Economist por Cyril Northcote Parkinson em 1955. “É o homem mais ocupado que tem mais tempo livre”, afirmou o historiador. Pronto. Nascia a “Lei de Parkinson”, cujo funcionamento é tão inconteste quanto a da gravidade: “O trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para sua realização”.

Todo esse blablablá para mais uma digressão em busca de respostas de por que deixar sempre tudo para a última hora. A internet multiplicou as oportunidades de distrair a atenção, ocupando nosso tempo com pequenas coisas que desviam a concentração da tarefa principal. Mesmo assim, a culpa é sempre da peça em frente ao monitor. :P

Bem pior que papéis fora de lugar são os sonhos acomodados em gavetas à espera da ação do deus Acaso. Quantos projetos de vida jazem sob a lápide da indisciplina, infecção letal que acomete especialmente os mestres na arte de encontrar desculpas? Como denuncia a etimologia, “disciplina” e “discípulo” têm raiz na palavra latina discere, que significa “aprender”. Assimilo essas filigranas semânticas, mas continuo incapaz de pisotear o corvo que vela minha lista de tarefas pendentes.

Que bom seria dar uma despirocada e culpar um corvo pelos infortúnios. A proposta sequer é original, afinal santo Ambrósio já desancou a ave pelo fato de não ter retornado à arca quando Noé a soltou para examinar os efeitos do dilúvio descrito no Gênesis.

Pior ainda é continuar a leitura do poema de Edgar Allan Poe que usei no início do texto, nova tentativa frustrada de conferir algum verniz poético à minha verborragia catártica. Em vez do “cras” do corvo morto sob o chulé nada santo do Expedito, o pássaro da poesia do norte-americano grasna o mantra “Nunca mais”. “Profeta ou demônio?”, pergunta a personagem que recebeu o visitante alado.

Acossado pelo exu da procrastinação, apelo à verve de outro poeta (verde-amarelo, desta vez) para tentar exorcizar os augúrios-grilhões: “Temos todo o tempo do mundo. Sempre em frente. Não temos tempo a perder”. Assim seja.

PS.: Como sói acontecer, terminei o texto na manhã do dia 30, prazo final para postar aqui no blog.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Casarão

Levantava a cabecinha tanto que o pescoço doía. De tão comprido, não conseguia ver o telhado. Havia janelas por todo lado, buracos deixavam frestas, o sol atravessava quase cegando o olhar. A porta velha, como maçaneta argolas enferrujadas, roída pelo tempo. O coração saltava, ansiosa para saber o que havia lá. Quando ele abriu, saiu devagar detrás, largando as mãos que a segurava. Era tão grande, escadas, janelas, teias de aranha, pó, madeira velha no chão, foices penduradas, se tornara um depósito de ferramentas, artifícios da roça. Subia em passos curtos uma escada, dando acesso ao que lhe parecia ter sido uma sala. Uma lareira, ferro e toras de madeira apodrecida, pregos por todos os lados, ali penduravam quadros? Eles conversavam à respeito, a fazenda era do Barão Malêncio, a propriedade mais antiga da região. Logo ali, uma geração se fez e desfez. O último de sua geração perdera para às dívidas, arrematado por Jacó, numa verdadeira pechincha de leilão.

Enquanto conversavam, explicando pausadamente como gostaria que ficasse a fazenda, lhe pediu um favor - só não derrube este casarão, por consideração o deixarei de pé, enquanto puder. Ele respondia firme, voz altiva, que não faria nada com o velho casarão. A pequena dispersa da conversa de adultos, olhava fixamente uma escada e debaixo a porta pequena com fechadura engraçada. Atraída foi em direcção, abriu e entrou rápido sem que percebessem. Encantada com a salinha, o banquinho e a janela que dava o presente, embaciados de maravilhas, olhava o sol e os montes cheios de árvores na parte mais alta e na baixa pasto para gado, os açudes como irmãos gêmeos e os três pés de manga, lembrava de lambança, passava a língua nos lábios, a manga mais rosada.

Calma e respirando fundo, abriu a janela sem o menor ruído, queria sentir o vento que no assobio, pedia para brincar com os cabelos lançando pra lá e pra cá. Ali se perdera, olhar longe, fechando os olhos para sentir o momento. Silêncio. Um susto! Ouvia os gritos dele, com voz de bravo se perguntava - onde diacho foi essa menina! Saiu correndo, ofegante fechou a porta, não queria que ninguém soubesse daquele lugar. Ali seria perfeito. Um lugar para ficar. Descendo as escadas, quase escorregou, dizendo:
- Estou aqui, estou aqui...
Bravo, chegou perto, abaixou-se e disse:
- Não quero você aqui. Entendeu?
- Silêncio...
Ela com olhos cheios de lágrimas abaixa a cabeça... e ele sem dó lhe disse:
- Se por acaso vê-la aqui vai apanhar feio, este não é lugar para brincar.
Não saia nenhuma palavra, e só balançava a cabeça, mordendo o lábios engolindo o choro.
Ela conhecendo aquele olhar alucinado com olhos brilhantes quase falantes e mãozinha segurando firme a barra do vestido disse:
- Encontrou? Tenho certeza que encontrou! Um lugar secreto, seu esconderijo.
Abrindo um sorriso mais danado, balançou a cabeça e dizendo baixinho:
- sim...
- Não se preocupe, daremos um jeito. Logo de manhã voltaremos aqui, para arrumar seu lugar secreto.
Ambas sorriam, aquela carinha sapeca de quem aprontara. Então, sossegou o coração entristecido de outrora. Sabia, que ela lhe ajudaria.

Pela manhã as duas saíram com vassouras, paninhos e objectos para enfeitar. A pequena esbaforida, seguia arrastando a velha boneca que estava cega de um olho, a falta de tinta a deixava com aparência esquisita. Mas não se importava, eram parecidas, as esquisitas se entendiam. Tinham que dar a volta no casarão e entrar pelo buraco perto do tanque que mais parecia uma piscina. Encostando-se na parede e saindo um tanto raladas, conseguiram chegar. Rápido subiram as escadas. Animadas faxinaram, organizando cada pedaço, deixando um renda para o banco, e a janela de madeira e sua bela paisagem. Ela suspirando depois da labuta, olhou a pequena exclamando - e ficou um belo lugar secreto! Davam risada, misturando gargalhada na volta para casa.


Todos os dias descia a estrada de terra cheia de pedrinhas, trajecto dos cavalos manga larga desfilar. Era felicidade pura, alegria de brincar ali, conversar com os amigos. Aqueles que não tinham corpo, que repetiam as mesma falas, que aceitava toda e qualquer brincadeira. Aqueles de carne e osso só havia na escola, ali eram os outros, aqueles de sempre. Largando os afazeres da fazenda, ia ao encontro daquela que escondia-se o tempo todo; outrora nos matos, pomar ou no secreto lugar. Às vezes ela ia brincar de boneca com a pequena. Mas na maioria, as duas ficavam juntas, abraçadas, perto da janela olhando a paisagem. Livres de qualquer olhar, contemplavam a paisagem, respiravam fundo e sentiam aquele vento brincar. Aquele lugar era especial. Esconderijo, certo. Secreto até para ele, mas não para ela.Quem sabia? Ninguém, além delas e o velho casarão.

crédito imagem-net

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Como Sobreviver à Queda de um Avião

A questão não é SE mas QUANDO teremos um ataque de zumbis morto-vivos e se esse pandemonium acontecerá antes ou depois da revolta dos robôs, tomados uma uma inteligência artificial malévola (check: Terminator). Se tudo isso te parece enredo de filme ruim do Michael Bay produzido pelo Jerry Buckheimer, vamos apelar para o medo REAL de todo e qualquer ser humano que saiba o que é perigo.

Ao contrário do que diz Obama, você corre mais risco de morrer de devido à queda de um avião do que em um ataque terrorista (a não ser que ele concilie as duas coisas, como a história já provou que é possível, check 9/11).

Pensando na sua segurança e na manutenção de page views deste blog, segue abaixo um roteiro de como sobreviver à uma queda de avião, desde a prevenção até se manter atento à sinais de que a gravidade está falando mais forte que as turbinas.

Estatísticas do governo ( não do nosso, mas do americano) dizem que 19 em 20 pessoas, em média, sobrevivem à uma queda de avião. Suas chances são de mais de 95% para a sobrevivência. O importante é somar aqui alguns comportamentos que possam garantir que você esteja na maioria e não no lado infeliz da porcentagem. Mas, vale a pena reforçar, são apenas dicas e não venha me processar caso você morra.

Dicas:

- Use sapatos confortáveis. Isso exclui aquelas suas Havaianas. Por mais que elas estejam na moda na Europa, não são muito boas para correr de um avião em chamas, certo? Não exponha seus pezinhos ao perigo. Eles podem se cortar caso você caia na Floresta Amazônica (ou o que resta dela). Calças longas e mangas compridas são uma boa pedida. Elas vão proteger a sua pele do fogo, pelo menos por um tempo, e do frio, caso você caia em alguma calota polar.

- Tenha sempre um plano de fuga. Observe a saída e trace possíveis rotas para alcançar a porta. Não meça esforços. Veja a quantidade de gordinhos no caminho, velhinhos ou demais pessoas que se movem devagar. Numa hora de pânico, ninguém se manterá a direita deixando a esquerda livre pra circulação. Saiba que quando a hora surgir, pode ser necessário fazer sua ética cair por terra e acotovelar alguns seres humanos pelo caminho. Uma dica é mentalizar que você está preservando a espécie e agindo por puro instinto. Se você sobreviver, ninguém irá te julgar e talvez role uma indenização (=$$). Fique sempre perto das portas, entre as 7 primeiras filas.

- Apesar dos barulhos do seu companheiro de poltrona, pequenas turbulências e sono, leia atentamente as indicações de segurança do avião. Ela faz a diferença entre aqueles que caíram no mar por não prenderem o sinto e aqueles que caíram na ilha deLost. Alguns morreram depois, por razões inexplicáveis, mas tudo bem. Conte o número de assentos a percorrer até cada saída do avião. Desse modo, se houver fumaça, você já sabe qual é a mais próxima. Use o cinto de segurança e pratique por pelo menos 6 vezes o ator de abrir e fechá-lo. Aja como se tivesse TOC e ninguém vai perguntar nada. Repita o processo com os olhos fechados, só pra garantir.

- Ok, as coisas podem ficar bem feias quando um grande pedaço de metal pega fogo nos ares ou começa a cair indiscriminadamente (e quem cai com foco?). Ouça as comissárias de vôo, de bordo, ou qualquer mulher uniformizada que fale separando as sílabas corretamente e fingindo tranqüilidade. Elas sabem o que fazer, foram treinadas para isso e ganharão milhas quanto maior for o número de sobreviventes da tragédia. Continue calmo e prepare-se para um possível choque. Sente-se confortavelmente, com os braços cruzados e as pernas entre os braços. Reduza o espaço que sua cabeça possa girar em caso de uma aterrisagem. Isso ajuda a sua dor de cabeça a ser menor ou, no pior dos casos, torna a identificação do seu corpo um pouco mais fácil. Se a máscara de oxigênio cair, use-a. Não tenha medo de parecer bobo. As cores não são as melhores, eu sei, e o ar pode não cheirar tão bem, mas podem ser seus últimos segundos de vida, então, dê uma ajuda ao destino e respire fundo.

- Quando o avião cair, segure-se forte ao seu assento. Mantenha-se abaixado caso haja fumaça e corra para a saída mais próxima. Não seja o idiota que se atrasa e atrasa todo mundo ao tentar pegar a bagagem de mão! Perceba: o avião caiu e não há nada mais importante do que preservar o seu corpinho intacto. Abra a porta. Caso haja alguma danificação na lateral do avião, observe se é uma boa e possível saída. Caso seja uma distância muito alta, penseo: o que é pior, quebrar as duas pernas ou morrer queimado e sufocado? Pule.

Ao sair do avião, você ainda não está a salvo. A questão agora é agilidade. Fique a distância do avião. Corra, se arraste, saia de perto. Ele pode explodir. Segundo estatísticas confiáveis, mais gente morre pela explosão do que pela queda. Apesar de distante, não saia para muito longe da zona da queda. Isso pode dificultar a busca por você/seu corpo.

Fim.

Caso você sobreviva, escreva um livro ou pelo menos um post em um blog sobre o assunto. Se cair em uma ilha esquisita, cuidado com Os Outros. Se cair no meio do ártico com outras pessoas, por favor, nunca coma os seus companheiros, mesmo que haja falta de comida. É extremamente anti-ético.

domingo, 27 de setembro de 2009

Fotografando o pôr-do-sol



Algumas pessoas me perguntaram sobre isso e eu achei interessante compartilhar algumas dicas com vocês que amam viajar e clicar.
Fotografar o pôr-do-sol não tem segredo nenhum, mas nem sempre a imagem fica do jeito que esperamos ou do jeito que estamos vendo na hora.
Por isso, na próxima vez que estiver em frente a um pôr do sol daqueles, vamos fazer algumas coisas diferentes do habitual.
Com a chegada da câmera digital ficou mais fácil ver as imagens após o “clic” e entender o que aconteceu para depois tentar melhorar.
Primeira coisa para o resultado ficar mais interessante: use o “zoom” da sua câmera ou para quem tem uma câmera mais avançada e que troca a lente, use uma lente tele.
Usando o zoom ou a tele o sol vai “ficar maior”, vai parecer estar mais perto do que percebemos sem usar esse tipo de lente ou o zoom. Depois disso, uma dica prática para as cores ficarem mais bonitas, ou como muitos fotógrafos costumam dizer, ficarem mais dramáticas.
Faça a medição de luz ao lado de onde está o sol, sem que ele esteja aparecendo no visor.Para quem não sabe como é feita a medição de luz e tem essas câmeras compactas: aponte para o céu ao lado do sol e aperte o botão até a metade, segurando-o pressionado como se fosse para focar a imagem.
Mantenha-o pressionado e volte a enquadrar o pôr-do-sol do jeito que você quer a foto. Aí é só acabar de clicar.
Na maioria das máquinas compactas, isto funciona. Já que o sol tem muita, muita luz, se ele entrar no campo do visor na hora que você faz essa medição, acaba distorcendo o resultado e alterando muito as cores.
A primeira imagem é do pôr-do-sol na Grande Barreira de Corais na Austrália e a segunda é de Jericoacoara.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fórmula 1


Nesses tempos de tantas notícias sobre o escândalo envovlendo a Renault, Flavio Briatore, Fernando Alonso e Nelson Piquet, Jr., cabe aqui contar um pouco de história r remontar aos anos 50 e entender como tudo começou: seguindo os dirigentes do automobilismo, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) anunciou a prova inaugural do campeonato mundial de F-1, em um sábado, 13 de maio de 1950, no Circuito de Silverstone, na Inglaterra.

O campeonato anunciado compreendia 6 GP's a serem disputados na Europa: Inglaterra, Mônaco, Suíça, Bélgica, França e Itália, e seria ainda adicionado o resultado das 500 milhas de Indianápolis, tornando, dessa maneira, um campeonato "mundial" (apesar do fato de que os carros, equipes e pilotos que competiam nos EUA serem completamente diferentes dos da Europa).

Devido às dificuldades do pós-guerra, os carros eram todos do pré-guerra. Permitiu-se a participação de carros com motores superpressurizados até 1,5 litro ou com motores aspirados de 4,5 litros. A confirmação da presença da Alfa Romeo foi determinante para o momento. Sua participação com as Alfettas, dominantes na época, trouxe prestígio para o campeonato. Confirmaram presença a Ferrari (mas os carros não ficaram prontos para a prova inaugural), Maseratti, algumas "Voiturettes" ERA e carros esportivos modificados, como os Talbots.

Seriam descartados os 3 piores resultados das 7 corridas disputadas. A pontuação era assim dividida: 8 pontos para o primeiro colocado; 6 para o segundo; 4 para o terceiro; 3 para o quarto; 2 para o quinto colocado e um ponto para o piloto que marcasse a volta mais rápida da prova.

A prova inaugural em Silverstone contou com um público de 100.000 pessoas estimadas, além da presença do Rei George VI, a Rainha Elizabeth e a princesa Margareth.

Alfetta da década de 50

Após o domínio nos dois primeiros anos das Alfettas e as antigas voiturettes, a Ferrari apresenta um carro vencedor com motor de 4,5 litros e domina completamente os anos de 1952 e 1953, dando a Alberto Ascari o título de bicampeão. Neste momento, a Alfa, que competia ainda com as Alfettas (projeto do pré-guerra) não tinha recursos financeiros para investir no desenvolvimento de um novo projeto e decide abandonar a categoria.

Em 1954, a Mercedes-Benz retorna ao esporte com um carro perfeito que deu a Juan Manuel Fangio mais 2 títulos, tornando-se tricampeão mundial. Os carros são menores, com motores de 2,5 litros. Ao final de 1955, a Mercedes abandona as competições em razão da tragédia de Le Mans ocorrida naquele ano, quando mais de 80 espectadores morreram quando a Mercedes de Pierre Levegh projetou-se sobre a multidão. Neste momento, a Ferrari contrata Fangio, que conquista o quarto título na F-1. Em 1957, ele conquista seu quinto (e último) título pela Maserati.

Em 1955, a Vanwall, primeira equipe inglesa de F-1, apresenta um carro originalmente concebido para a Fórmula 2 de 2,0 litros, porém equipado com freios a disco e injeção de combustível. Em 1956, a Vanwall apresenta o motor de 2,5 litros e um novo chassi concebido por Colin Chapman, que nesta época desenvolvia carros esporte para a Lotus. Após algumas modificações introduzidas na suspensão por Chapman e a contratação de um especialista em carrocerias, Frank Costin, o carro da Vanwall tornou-se extremamente competitivo. Para brigar pelo campeonato foram contratados 2 excelentes pilotos: Stirling Moss e Tony Brooks. Assim, a Vanwall se tornou a primeira equipe campeã de construtores em 1958.

Em 1958, a Cooper apresenta um pequeno carro (baseado nos modelos da Fórmula 3 de 500cc) com motor de fabricação própria, montado na parte traseira, com um acentuado índice de avanço técnico comparado aos carros da época. Este carro marcou os modelos da década que se iniciava já sendo campeão de construtores e de pilotos, com o australiano Jack Brabham, em 1959 e 1960.

As cores dos carros

As cores tradicionais dos carros no início da Fórmula 1 eram: o verde para as equipes inglesas, o vermelho para as italianas, o azul para as francesas e o branco alemão. Nessa época, a F-1 era essencialmente um esporte, e o mercantilismo ainda não tinha tomado conta. As equipes eram mantidas com ajuda das empresas de petróleo e fabricantes de pneus. Essa obrigação durou até 1968.


No próximo dia 26, a década de 60 e mais curiosidades.
Curtas (pra não perder o hábito!):
1- Nelson Piquet, Jr., até o fechamento desta matéria estava sendo sondado pela Manor uma equipe que vai estrear no campeonato de 2010, força Nelsinho! Boa sorte!
2- Flavio Briatore ainda alega inocência e tenta volatr à F-1. Se liga, cara!

3- Felipe Massa está ainda em processo de recuperação, boa sorte!!!

E ainda no dia 26/10 estarei fazendo meu post direto de San Francisco, California! É isso aí fãs da veocidade, até mais!

É primaveeeeeeeeeera!

Aqui na Argentina comemoram muito a chegada da primavera. Dia 21 de setembro é o Día de la Primavera! Confesso que achava isso uma das coisas mais idiotas do país, empatado com o excesso de mullets e a insistência de usar arroz gelado na salada.

São pessoas que te "saludam" no trabalho por isso, nego com buquê de flor na rua, chefona que compra sorvete pra galera, aborrecentes saem pra beber no parque em bando e tudo isso a troco de que chegou a primavera? Pera lá, né! Vão arranjar uma vida!

Confesso que não via mesmo graça nisso tudo, mas a cada ano morando aqui vou começando a entender.

Brasileiro acha que inverno é charmoso. Claro, quando são umas duas semanas por ano e olha lá. Aqui não! O frio vem pra valer, mermão. Desde abril ou maio estou usando as mesmas jaquetinhas, as mesmas camisetas que são mais quentes, os casacões e calças. Cansa! Realmente, o fim dessa friaca é um baita alívio e, sim, traz bastanta alegria. Os argentos que são todos mais tangueiros e sensíveis, quase sempre em excesso, transformam tudo isso num grande evento. Uma celebração da chegada do calor.

Passei o dia 21 enfurnado no trabalho oficial e em outro extra, só saindo pra rua no meio da noite. Mal vi toda essa grande poesia da vida que é a chegada da primavera portenha. Mas não importa, deu pra sentir que se fue el invierno de mi corazón.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Interior

(Edgar Degas)

Com medo de procurar o que havia dentro de si,
Juliana deixou-se ficar deitada na sala de cores almodovarianas.
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Num puff macio e gelado.
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Não queria encontrar com ninguém.
E isso obrigatoriamente implicava encontrar-se consigo mesma.
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Era esse o perigo.
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Desesperou-se ao pensar no nascimento de possíveis garras sádicas.
Rasgando-lhe o ventre e tentando fugir.
_ Sou eu! Deixe-me sair!
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JAMAIS.
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Jamais Juliana deixaria que seu pequeno ser escapasse e passeasse (assim inconcluso) pelo mundo.
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Dispersou a fumaça do incenso.
Levantou.
Bateu os dedos nos cabelos curtos.
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Saiu da sala e trancou ali toda e qualquer vontade de se libertar.
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* Um mimo pra Juliana Cruz

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Passárgada

Às 13:45 vou-me embora para Passárgada
Lá sou amiga do João Henrique Carneiro
Lá tenho o homem que desejo
No lugar que quero.

E como dormirei na rede
Comerei carne de sol
Tomarei banho de mar
Pegarei jacaré

E quando estiver cansada de tantos caldos
Deitarei na areia
Chamarei Netuno e Hefesto
Pra me contar histórias
Acender uma fogueira
E fazer amor comigo.

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tenho tudo
A cerveja mais gelada
A mariscada mais completa
O celular desligado.

E quando eu voltar pra casa
E ter vontade de fumar em ambiente fechado
De beber e dirigir
De ver o Jesus Luz de cueca num outdoor
De ficar milionária jogando no bingo

Quando der um beijo e não for correspondida
Quando trabalhar mais de 12 horas
Quando à noite acordar sozinha e sentir medo e frio
Vou me lembrar de Passárgada
Do mar, do sol, do acarajé,
Vou-me pirar em Passárgada.

Ps. Foi mals aí, Manoel Bandeira e quem esperava um vídeo mais bacana

terça-feira, 22 de setembro de 2009

21 de setembro de 2009.

no trabalho, ligações. na pesquisa, voz trêmula.
nas mãos, suor frio. nos dedos, unhas roxas.
na cabeça, tontura. pelo corpo, muito frio...

para o chefe, preocupação.
para a mãe, apreensão.

no hospital, olhares feios.
na veia, agulha. no soro, glicose.
no estômago, enjoo. na cabeça, sono. muito sono.

para o médico, preocupação.
para a mãe, apreensão.

no laudo, o não saber. para a doente, apenas MEDO.
em casa, a cama. no cobertor, o aquecer.
dormir, dormir e dormir.

no dia seguinte apenas a memória de que passou mal, a volta a rotina e as obrigações de todo o ser humano.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ad aeternum


já havia escondido a tal barra azul onde piscam alaranjadas as tentativas de contato. deixara o telefone lá longe, no cantinho da mesa. não usava acessórios. seus dedos batiam as teclas repetidas vezes, mesmo quando nada tinham a dizer. contra sua vontade, seus olhos cerravam levemente, simultaneamente ao descolar dos lábios que logo se escancaravam num suspiro profundo. tec tec tec era o que ouvia. pontas deslizando no teclado, o celular fora de seu alcance e a barra escondida. usava alt + tab para transitar entre as telas. quase não tocava o mouse. digitava, digitava, digitava. digitava até sentir os braços doerem. tudo em vão, pois não importava o quão rápido e intensamente trabalhasse, quando finalmente olhava o relógio para conferir o passar do tempo constatava que, em horário comercial, cada minuto carrega trinta deles em si.


domingo, 20 de setembro de 2009

O Fim

Olá pessoal.

Estou enfrentando o sentimento de luto pela perda de uma pessoa da família - e o luto muda nossas perspectivas... pelo menos até que nossa mente seja novamente tragada pela rotina para que, mais uma vez, caiamos no ciclo de ilusões, desejos, lutas e objetos que nos cerca.

Tento sempre escrever algo bacana aqui, dar o melhor de mim, mas não dessa vez... Vou ficar aqui no meu cantinho, matutando como um caboclo, de cócoras, tentando compreender a simplicidade do complexo e a complexidade do simples que envolve a vida e a morte... uma busca que não me levará a lugar nenhum mas, no momento, é uma trilha que não posso evitar de seguir.

Em um outro momento que me deparei com esse sentimento, saiu uma música: O Fim - fruto do sentimento de que não somos nada e somos tudo ao mesmo tempo, diante da vida e da morte. Seria ela mesmo o fim? Ou o recomeço?

Bem, gostaria de indicar essa música (que não é triste, nem alegre) para vocês. Acho que é assim me sinto nesse momento. Não é uma música da banda, eu a fiz sozinho e sozinha ela é, mesmo sabendo que sozinhos não devemos ser nunca.

A música está no Myspace, eu nem tenho mais o arquivo dela. Mas ela está lá. Sinto muito pela apatia do artigo, mas espero e ficarei confortado com um retorno de vocês sobre ela. Abraços e até o mês que vem!

http://www.myspace.com/mundosophia

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

De dentro do onibus

Vi uma menina bonita. Gostosa e bonita, andando ao lado dum nerd magrelo de óculos e cabelo tonhoinhóin. Ela ria, com gosto. E ele falava de canto de boca olhando pra calçada, típico dos tímidos. Ela se divertia. Que ela nunca se esqueça disso. Que ela nunca caia no submundo perverso novelístico com ares de revista teen que seduzem jovens e velhas garotas a desejar o pitbull metrossexualizado que na primeira oportunidade e terceiro gole vomitará aos amigos descolados as ligações, as posições, e confundirá orgasmo e não melindres com biscatice. Reunidos num bar com suas respectivas correntes prateadas pra fora das baby-looks e sorrisos orkutados prontos para qualquer click (não)surpresa, diga-se. O nerd não. Malemá vai contar pro melhor amigo, ou pro cachorro, ou nem pra ele mesmo com receio que os pensamentos ao se tornar palavras carreguem o acontecimento junto pra bem longe, onde ele não possa ir. Melhor guardar, pensa. E bem pensado é. Ele vai caminhar do teu lado, como de costume, pensando no que dizer, sabendo que tem que ser algo que você veja graça. Ele te venera, menina bonita.
Ele quer tua gargalhada, e tudo mais.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Chuveirada

Algumas das melhores decisões da minha vida foram tomadas no banho. Parece uma coisa muito estranha a se dizer, mas é só com a água caindo sobre a minha cabeça que ela esfria. Não literalmente, porque eu só tomo banho morno. E é no processo de limpeza do corpo que eu clareio a mente. E vejo tudo mais clara+mente.
Muita gente canta, mas no chuveiro eu preciso falar. Converso, tagarelo, falo sozinha até dizer chega. Desabafo, conto meus problemas ao box e à saboneteira e assim espanto os meus fantasmas diários. Imagino soluções, ensaio contar histórias. (Na adolescência eram até tentativas de declaração de amor. Nunca concretizadas).
Eu não sei qual é a mágica do banho, mas sinto que minhas melhores ideias nasceram ali. De inspirações a divagações e, mais recentemente, resoluções para a vida toda. Foi depois de um banho quente e demorado que eu decidi fazer vestibular pra Letras, um dia antes do fim das inscrições. Foi em alguns banhos que tomei que tomei (repetição proposital) a decisão de colocar um ponto final nos relacionamentos e pingos nos iis no que me incomodava. Depois de um banho eu decidi fazer aulas de italiano e estou precisando de mais umas cinco chuveiradas de coragem para conseguir retomar.
Quem dera se na vida tudo se resolvesse com água e espuma.

- Você aceita o emprego?
- Quer casar comigo?
- Podemos começar a plástica?

Só um pouquinho. Vou tomar banho e já te digo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

VIVA

“Tudo vale a pena quando a alma…”

Mesmo que seja ao custo de som e fúria, como se o caminho não acidentado fosse insípido demais, bem tedioso.

A ansiedade pelo entroncamento era vital, crescia a cada segundo. Sufocava-o.

Ter a possibilidade de uma escolha lhe bastava como ideal de vida.

Ele veio: Entroncamento.

Houve a escolha: Binária como deveria ser.

Riscos, buracos, perigos, solidão, conforme seguia a nova direção.

Pensou em voltar, em parar, talvez desistir.

Porém, continuou, sabia que no fim daquela estrada havia um pote de ouro.

Sim, há.

Nada mais será como antes.

VIVA!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

São Paulo, 28 de setembro.

Às vezes as palavras me escapam. Recusam-se a fazer a ponte entre o pensamento e a linguagem. Entre a razão e o coração. Durante esta semana tantas vezes me senti assim, sem palavras. E mesmo agora, sentada diante do computador, tocando as teclas que me permitem transportar as emoções que sinto, faço um esforço imenso para te dizer tudo o que quero.
Parece-me que só agora estou digerindo os últimos acontecimentos. Ontem, quando estávamos sentados no vão do Masp, você questionou se eu carregava guarda-chuva na bolsa. Lembro que antes de sair de casa olhei para o objeto entre as minhas coisas e resolvi deixá-lo."Se chover, deixa molhar", pensei. Logo eu, que sempre carrego blusa e guarda-chuva, que sempre tento me proteger de tudo. O que quero dizer é que você conseguiu romper a redoma que coloquei ao meu redor. Ao te conhecer deixei de me preocupar com o amanhã e me permiti viver. Sei que existe um preço para isso e sei o que vou sentir nos próximos dias, mas eu não me importo, porque tudo valeu a pena. Tudo foi especial e bonito e intenso.

Você deixou a minha vida mais bonita.

Sabe, parece que ainda vejo você percorrendo maravilhado a região em que morava, com os olhos brilhando de emoção quando viu que ainda tinha a falha no elevador parecida com uma barata e, depois, passando as mãos na árvore em frente ao prédio, enquanto observava a calçada e a força da natureza diante do cimento. Eu vejo o menino que você foi e o homem que você é.
Hoje um amigo muito querido veio me visitar e disse que eu estava diferente, perguntou se eu estava amando. Tive o ímpeto de dizer que sim, mas me calei. Eu me protegi e me recusei tanto a viver esse sentimento, mas quando menos esperava senti brotá-lo dentro de mim. Não espero nada daqui para frente, sinceramente. E não me importo mais se vou sentir saudades, se vai doer (como está doendo) ou o que quer que seja. Tudo valeu a pena, tudo. Eu me entreguei a você de corpo e alma e foi uma das melhores coisas que já fiz na vida.
Enfim... Eu só queria dizer obrigada.
Não consigo mais escrever, desculpe.

Um beijo.

***

Rio de Janeiro, 29 de setembro.

Eu me despedi de você antes de entrar no metrô. Ainda olhei para trás e dei o último aceno, o último sorriso. O metrô entrou na escuridão e então eu me senti muito só, pela primeira vez em algum tempo. Abaixei a cabeça e comecei a chorar, um choro cada vez menos contido, e não tive vergonha de derramar lágrimas na frente daquelas pessoas. Quem ali não choraria no meu lugar, me perguntei. Lembrava de você ao meu lado, enquanto eu revia o prédio onde nasci, a rua onde nasci, a minha primeira escola. E a barata do elevador, e as raízes rebeldes da árvore rompendo o cimento, e a grade que não havia. Eu a via ao meu lado, me abraçando, me beijando, me dando seu afeto, sua presença.
Senti vontade de ligar, liguei, mas ainda não era possível dizer, menos ainda com palavra falada, que é exagerada, tagarela, perde a medida das coisas. Eu ainda não compreendo o que houve. Não saberia contar a ninguém. Não agora. Você disse que eu não tinha vergonha de nada, e eu ria internamente, ria de alegria, de gratidão, pois sei que minhas vergonhas já foram várias. Com você não senti nenhuma. Se você saiu da redoma, eu saí também.
Não sei exatamente o que dizer. Estou com saudade. Foi tão intenso! Fomos amantes de cinema, de filme francês, de filme underground. E, ao mesmo tempo, não fomos nada disso: tudo tão calmo, tão leve, tão sem vergonha. Eu me dei a você, é tudo o que eu poderia lhe dar, e também me sinto pleno pelo que foi e ainda é. Naquela noite, mesmo depois do metrô, enquanto eu caminhava por ruas escuras em direção ao hotel, eu chorei até secar as lágrimas, e deixei-as escorrer pelo rosto, pelo pescoço, pois eram lágrimas de quem estava vivo, absolutamente vivo.
Sigo com você, por inteiro, de corpo e alma. O que será, também não sei. Mas o que tem sido até aqui, para mim, já é inesquecível. Você é inesquecível.

Um beijo, meu amor.

domingo, 13 de setembro de 2009

Viagem

No muro da beira da estrada eu vi pichado o enigma:
Eu fui para Nicarágua
e recebi Jesus numa encruzilhada

E o carro corria solto feito o diabo

Era ponte
Barreira
Braço de rio
Lagarto estraçalhado
Entroncamento de estrada

A louca com carrinho de supermercado que tinha gatinhos tecidos na alma
instruía a moça cabeça-de-vento: “A paixão cega, minha filha”

E minha avó ensinando o papagaio a pedir esmola: “vai que eu lhe falte um dia.”

"Quem ama deixa."
- pregava a velha com catarata no peito.


"se quiser fugir, tropeça na primeira esquina"

[Tudo, sem saídas de computador]


Eu abasteci o carro e vi o céu azul de suely na pensão amaralina

Minha alma de segunda entendeu tudo
fiz o pelo-sinal-da-santa-cruz e passei a terceira marcha

Levantou um poeirão fenomenal

E eu vi Santana nunca mais me deixar, pelo retrovisor.





São Paulo, agosto de 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

¼. Cinco.

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A situação carecia de exatidão.

Saindo do elevador, a porta fica à esquerda. Apartamento número 12. Havia números romanos indicando que era ali. Não havia tapete na entrada, porta cor de madeira. À direita, entra para a cozinha; em frente, fica a sala e uma mesa. Um sofá, uma mesa de centro e um armário que sustenta a televisão, um aparelho de DVD e um porta-retrato. Ali, algumas pessoas impressas em papel fotográfico com tamanho maior em sua vertical. Um vidro, uma sacada. Para a direita, fora da sacada, dois quartos e um banheiro todo branco. As paredes da sala eram brancas, dos quartos também. Um quadro grego ilustrava a sala de estar. Um dia, alguém, acho que uma amiga de Aline, disse com olhos fincados no centro dele. Copo em riste, pensa para o lado esquerdo. Eram, mais ou menos, 2h15:

- Caralho, vocês têm Magritte. Na sala.
- O quadro?
- É.
- O que tem o quadro?
- É René Magritte.
- É?
- É.

- É.

- René é legal, né?
- É.

Já não prestava mais atenção em nada.

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Winnie...

Na verdade, não sei se ainda deveria te chamar de Winnie. Há algum tempo costumava ser especial...

Eu poderia escrever um livro apenas com aquele instante em que te vi pela primeira vez. Seria um livro de fotos, como aqueles que haviam no seu quarto no dia em que a vi nua pela primeira vez. Seria um livro de apenas uma foto, de vários ângulos, de várias cores em tons de cinza. Eu seria capaz de descrever cada movimento de suas pálpebras pintadas em preto.

Eu poderia descrever como acendi meu cigarro, como guardei meu isqueiro, como traguei e como levantei meu rosto e encontrei o seu, ali, há quinze metros de mim. Descrever como um som ambiente nunca soou tão lento em meus ouvidos. Alívio imediato. Acho que chovia lá fora.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Teletransporte

- Tô indo dormir pensando em você.
- Da próxima vez vem aqui pra casa, aí ao invés de ir dormir pensando em mim, você dorme comigo.



Foto roubada daqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Subindo e descendo

sorry, please delete

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pessoas pelas quais sou apaixonada

O menino que toca as músicas agitadas que eu mais gosto e não sabe disso. Pena que fuma.

O menino dos dedos magrelos que passa os dias realizando seus sonhos e alentando os meus. Pena que tem namorada.

O menino por quem eu sempre fui encantada e que eu ajudei a encontrar namorada. Idem acima.

A menina que foi morar em Nova York e tem idade, dinheiro e anonimato sobrando para cometer muitos erros. Pena que é menina.

O menino que queria ganhar muito dinheiro mas depois descobriu um caminho mais enriquecedor. Pena que o timing já passou.

O menino que enchia minhas quintas-feiras de luz e poesia e imagens tão tristemente lindas e lindamente tristes. Pena que é corinthiano demais.

O menino que faz um monte de coisas que me entediam, mas pensa um monte de coisas que me inspiram. Pena que dança demais.

O menino que eu acabei de conhecer. Pena que acabei de conhecê-lo.

O menino que está sempre querendo me fazer rir, até quando eu grito com ele sem razão. Pena que me dá muita razão para gritar com ele.

O menino que tem o ombro que encaixa direitinho na minha cabeça. Pena que está longe.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A fuga

E então ela disse adeus e fugiu. Uma fuga calculada, medrosa, planejada (como não poderia deixar de ser), mas uma fuga. Queria poder ficar, amava muitos ali e era amada, se sentia amada. Ali, era cômodo, era fácil. Comodidade cara: haveria de se perder a cada dia, de não se saber, de se apagar. Sentia afogando-se em si mesma, afundando. Era como se vivesse para dentro. E então ela disse adeus e fugiu. Fugiu para o inexistente, para o nada, para o tudo. É que o nada possibilitava o tudo, o qualquer. Ali, referências não havia, nem delimitação. E, por ser ninguém, poderia ser quem quisesse, poderia ser uma a cada dia ou todas em um dia. E nisto consiste suas horas: constuir, reescrever, passar a limpo e, silenciosamente, ser.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Poemas (perfeitos) de Ismar Tirelli Neto que levei para meus dias em Angra.


Angra I

teu sono
que eu levo na esportiva
esse brinquedo de me deixar a sós
com o mar
interpretá-lo

como as confusas placas que vão brotando
pela Avenida Brasil

por muito tempo indo
estávamos voltando


Angra II

disto a baía toda
do arame farpado

as feridas como que
pressentem; minto, sentem

não quero mais nada que não
essa ternura com o que
me traspassa
com todas as letras - perfura sangra e
crucifica, como quê

mas como
Camões
em tempos idos de uniforme
de conchilo em sala de aula
sem dor
não muita

domingo, 6 de setembro de 2009

Montagem

[por dani martins]

O corpo é doido, instável.

É parto e partida.

Acolhe e dissolve. Planta, mas também arranca.

Termina, mas nasce.

Pensa, desiste.

Tenta, consegue...às vezes não.

Corpo é passagem. Pensamentos que nem sempre são reais.

Pedras são passagens. Doçuras que

azedam a boca e o caminho.

São fatias de tensão, tesão, gargalha, lábio, pele, saudade, sangue e instante.

O corpo é um momento fúnebre no meio da festa. Festa em tempo integral.

É o ser forte e fraco.

É um jogo sem regras, um desalinhamento da compreensão, desajuntamento, despreparo e falácia.

É nada mais que nada, que nunca termina e que nunca começa, somente é.

sábado, 5 de setembro de 2009

Conto de fodas II - Isabela adormecida.

Era uma vez uma garota, quer dizer, nem tão garota assim, que morava na cobertura de um prédio em Boa Viagem. Isabela, 25 anos, último ano da faculdade de Direito, UFPE. Estagiária do Desembagador J num escritório de Advocacia que ficava ali perto. Solteira, muito amigos (muitos amigos interessados e interessantes), festeira, adorava sair pra dançar e tomar seu uísque com guaraná, comprar roupas de marca, ver filminho com pipoca e beijar na boca, isso tudo era motivo de fotos para o orkut no outro dia: "eu e Branca na Nox", "tuntz tuntz tuntz", "é nós na fita", "amigas in-se-pa-rá-veis", "olha nossa cara de alegria" etecetera e tal.
Bela, como gostava de ser chamada, parecia fútil, mas era uma mulher legal, sem frescura, dessas que chegam perto mesmo, morava com os pais, o irmão pentelho de 7 anos e sua cachorra poodle Frida. Adorava internet, milkshake de chocolate, barzinhos, baladas. Cabelos pretos no ombro, preferia vestidinhos que deixavam as pernas à mostra. No escritório terninho, em casa camisola tamanho G pra ficar bem soltinha no corpo, sem calcinha, é claro. O importante para ela era a liberdade, inclusive nas partes de baixo. Gostava de sandálias havaianas e homens russos. Falava inglês, espanhol e estava matriculada no francês. Quando o assunto é língua é com ela mesmo, às vezes fico pensando que poderia ter sido uma boa aluna de letras. Mas escolheu as leis.
Isabela botou um vestidinho azul com branco e foi à festinha no Motel, abre parênteses gente muuuderna e diiisculada faz festinha em motel fecha parênteses. 25 pessoas, aniversário de Branca, sua melhor amiga. Cerveja e ice à vontade no freezer, petiscos e muita música, fumaça e camas redondas, quadradas, espelhos, piscinas e teto móvel, mas faltava o uísque com guaraná. Problema resolvido: Bela foi ao supermercado 24h comprar uísque e alguns saquinhos de Doritos.
De volta ao motel, muitas doses e dancinha sensual com as amigas à beira da piscina e mãos e bocas molhadas. Doses e gargalhadas e fotos. Mas Bela não se interessou por nenhum carinha da festa.
6 horas da manhã: todos embriagados, café da manhã na Select da Boa Vista e depois, Recife Antigo, ver a “pica” de Brennand, para quem não conhece a pica, é um monumento em forma de pênis que fica do outro lado do Marco Zero de Recife.
Lá pelas tantas, Bela agarrada com um boyzinho sem camisa, pés descalços, cabelo bagunçado e um pouco sujo, ela agarrara um mendigo. Altos beijos, maior love. Os amigos chamando e ela sem dar a mínima. Gostou do sujeito, que andava com um vira-lata do lado. Ela só acompanhava as amigas se levassem o mendigo junto. Acordo feito, o garoto foi dormir em sua casa. Ela dorme e o resto você imagina leitor. Dessa vez, a safadeza, eu deixo pra vocês imaginarem.

Questãozinha de vestibular:

a) Bela acorda com um beijo do príncipe das ruas.
b) O mendigo leva seu notebook, jóias e dinheiro.
c) Ela é assassinada.
d) Eles vivem felizes para sempre.
e) NDR (nenhuma das respostas)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

nada.

hoje chove.
ela sempre se sentia estrangeira em dias de sol. ela, que era cinzenta, medrosa, cabisbaixa e gorda, ainda acreditava nas coisas da tv e pensava poder mudar, abandonar essa vergonha e ir ser outra pessoa, assim, como quem se muda de casa. queria uma gotinha de esplendor, um tiquinho de beleza, uma surpresa. mas o que fazia era sempre estar no escuro, em lugar vazio, debaixo do edredon, sem. ela, que rabiscava papéis, que não tinha objetivos, que se distraía com tudo, que não se reconhecia em nada nem controlava os próprios pensamentos, desprezava pessoas assim como ela. ela não era o amor de ninguém e apesar de só saber dizer dela, ela não sabia nada de si.
ela olhava pela janela. a chuva.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Robertiando


Esses dias minha amiga me chamou pra sair. Era uma sexta e tinha especial do Roberto Carlos na TV. Nem pensar, eu disse. “Não acredito que você vai ficar em casa só pra fazer média com seu namorado”.
Achei graça e conclui que, apesar dos quinze anos de amizade, ela não me conhecia. Eu lá sou de fazer média? E o Roberto, poxa...Por mais que eu tenha relutado, ele sempre fez parte da minha vida. Até mesmo quando eu dizia para minha mãe que ele parecia uma velha descabelada, no fundo, eu gostava.
Claro que minhas primeiras paixões não podiam ter alguma de suas músicas como trilha, afinal, eu gostava de Charlie Brown Júnior, mas as mais importantes com certeza tiveram.
Teve aquele pra quem eu gostava de dizer que o Caetano era melhor, só pra deixá-lo nervoso, e que depois de tantas brigas, idas e vindas, foi embora deixando uma carta triste e “Outra vez” em mp3 no meu desktop.

Não acreditei que eu era o abraço que ele nunca esqueceu, mas me comoveu e eu cheguei a procurá-lo nos pontos de ônibus. Por sorte já era tarde, pois eu já estava com a cabeça em outra música,”Como dois e dois”, cantada com quem eu quis, mas nunca fui dois, pra quem compus minhas primeiras canções, e que por isso achei que pra sempre me lembraria com tristeza quando eu ouvisse “As canções que você fez pra mim”.
Lembro que ano passado eu fiquei triste porque não tinha ninguém na minha vida com quem eu pudesse comentar sobre o show do Caetano com o Roberto, e senti muita falta dessas pessoas que não faziam mais parte de mim.
Achei que seria por muito tempo assim, eu lembrando de coisas e músicas do passado, mas quando eu menos esperava já estava assistindo o especial de fim do ano de mão dada e aprendendo a tocar “O portão” pra ele. Em outras palavras, ou ainda, em filosofia de bar: sempre haverá um alguém, sempre haverá uma música do rei.
E eu sigo correndo demais.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Atrás dos óculos embaçados

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As atitudes demonstram mais que as palavras, sempre acreditei nisso. Mas você me disse que não demonstro o que sinto, que às vezes fica na dúvida e que não sabe bem como agir. Fiquei perplexa porque sempre achei que fosse transparente demais, mas você me disse: "Nem tanto, honey.". E por você ser mais e eu ser menos, que isso funciona. E porque ultimamente, uma sempre esteve lá quando a outra precisou.

Poucas pessoas nos merecem.


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terça-feira, 1 de setembro de 2009

onde jazz meu coração

américa latina, 01 de setembro de 2009

meu bem,

rá, rá rá! a vi chorando minha falta na TV e só pude rir com a cena que presenciei. estou aqui, num país feliz, levando minha vida de cantor de churrascaria, ganhando meus trocados que dão pra pagar o aluguel de um quarto no centro da capital, tirando fotos vez ou outra com turistas brasileiros e curtindo cada momento. e você, como está? sobrevivendo sem minha pensão que tantas vezes julgou mixuruca? como estão nossos filhos? e meu empresário, aquele doido? e estes repórteres idiotas do fantástico? eles acham que são investigadores ou coisa assim? rá, rá, rá!

sabe o que é mais engraçado nesta história toda? por que só depois de dois anos vocês resolveram me procurar? sabe, eu lembro bem do dia em que parti. desde que nos separamos e fui morar sozinho, me senti mais livre, mais eu. não que eu fosse preso à você, imagine! lembra aquele dia que eu cheguei em nosso apartamento e você estava transando com meu primo? eu nem liguei. sou artista e artista não liga pra essas coisas. além do mais, você sabe... eu sempre tive outras gentes por aí.

bom, mas eu estava falando do dia em que parti, não é? então, apesar de me sentir mais solto divorciado, eu não estava feliz. algo me incomodava e eu não sabia o que era. fui pra são paulo e pedi ao meu empresário que não marcasse mais nenhum show. aluguei uma casa e comecei a fazer várias coisas, como pintar quadros, escrever roteiros de filmes, compor canções. e ainda estava infeliz. foi quando decidi dar umas férias a mim mesmo. fiquei alguns dias num hotel, ali nos jardins. acordava tarde, fumava unzinho e dormia a maior parte do dia. aí, numa tarde destas resolvi pegar um avião pra qualquer lugar. deixei o carro em congonhas (meu deus, só agora pela internet vi que devo horrores ao estacionamento, rá, rá rá...) e procurei os guichês de embarque. eu já conhecia a maioria dos países, então entrei numa fila qualquer e vim parar aqui, onde estou até hoje.

juro, não sei explicar porque fiz isso, mas sei que estou mais feliz que nunca. vai dizer que você nunca quis fugir? vai me dizer que é feliz neste paisinho de merda que é o brasil? eu sim sou feliz! cadê meus contemporâneos? estão fazendo shows beneficentes ou então dando vexames bêbados cantando o hino nacional em eventos políticos! ou não, talvez estejam chorando em canais de TV por mais uma chance na midia... midia! eu nunca precisei deles, eu quero que eles morram, raça de víboras.

quero desejar, antes do fim, pra mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais. nunca fui tão sincero e coerente comigo mesmo. rasguei meu coração selvagem e agora vivo o que sempre cantei. se você vier me perguntar por onde andei no tempo em que você sonhava, de olhos abertos, lhe direi: tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas, caminhado meu caminho. avise a quem perguntar, eu não vou voltar, pois há muito que viver do lado de cá.

e eu quero é que esse canto torto,
feito faca, corte a carne de vocês,

até mais ver,

belchior
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